É coisa de Cleiton? Jovens denunciam racismo de William Waack em vídeo no youtube Em vídeo, jovens que participaram de oficina do Periferia em Movimento criticam racismo naturalizado na televisão

No mês da consciência negra, as oficinas “Repórter da Quebrada – Crie seus vídeos” chegaram ao CJ Magdalena, no Capão Redondo, com a proposta de discutir a temática racial e formatos de comunicação via youtube.

O vídeo a seguir foi produzidos pelos estudantes, do roteiro à edição principal. Confira:

A proposta foi fazer uma sátira misturando uma cena da série “Todo mundo odeia o Chris” ao vídeo de racismo de William Waack.

Em novembro, surgiu na internet em que William Waack disse que “é coisa de preto” buzinar e atrapalhar sua gravação. Na mesma semana de divulgação do vídeo, surgiu a falsa notícia que um perito contratado pela Globo teria dito que, na verdade, ele falou “é coisa de cleiton”. Mas essa notícia não se comprovou e a Rede Globo afastou o jornalista da sua programação.

Na cena da série “Todo Mundo odeia o Chris”, o policial caracteriza o sujeito do crime apenas conforme a sua cor.

No vídeo “É coisa de Cleiton”, os estudantes moradores do Capão Redondo denunciam que, mesmo que a mídia tradicional tenha afastado o jornalista, ela continua com uma agenda racista, mostrando apenas crimes nas periferias e mostrando os negros apenas em situação de violência.

Confira, a seguir, o texto da aluna Gabriela Rssantos, baseado nas discussões do curso:

Cleyton’s

Um dos problemas que nossa sociedade enfrenta todos os dias é respeitar as diferenças, um dos problemas que enfrentamos até hoje é a escravidão, a pesar de dizerem que supostamente acabou.
A escravidão começou quando os negros foram tirados de sua cultura, de suas famílias e de seus costumes. Agora questiono o por quê? Já tivemos diversas respostas científicas pra isso em aulas de história, reportagens na internet e outras formas de informação. Mas as respostas que temos são todas voltadas à ciência, nada muito humanista.
Todos já ouvimos muitas histórias sobre escravidão e racismo. Mas por que o racismo ainda ocorre nos dias de hoje, já que temos tantas informações e corremos tanto atrás de direitos. Se todos somos humanos, por que a cor de pele de alguém diferenciará a forma de como irei trata-la?
A escravidão durou anos, e negros trabalharam servindo os senhores portugueses por “livre e espontânea” pressão, afinal, todos eles foram ótimos e amigáveis para os negros. Os negros adoravam ser tratados como raça inferior e serem estudados, pelo simples fato de serem negros.
Quando a escravidão estava chegando ao fim, (fato que ocorreu pouco antes da total Revolução Industrial) um novo direito foi concebido aos negros, o direito de comprar a famosa Carta de Euforia, na qual os negros podiam comprar sua liberdade. Uma grande “evolução” não acham?…. uma pessoa poder comprar sua liberdade!
Caminhando entre anos e anos os negros conseguiram sua liberdade! Será mesmo?! A resposta para está pergunta está bem clara, ou melhor “Cleiton”. A escravidão não acabou, pois precisamos de cotas raciais em universidades! Afinal, é errado ser negro… ser Cleiton.
Você saberia me dizer o que aconteceu com os negros após sua liberdade? Eu posso! Após os negros garantirem sua liberdade, não ganharam nenhuma forma de remuneração. Afinal, não tinham pra onde ir. Agora outra pergunta: “Por quê?” Porque os negros, após garantirem sua “liberdade” foram pra rua, digo, foram morar na rua, em um morro na margem, no Morro da Favela. Agora faço outra pergunta pra vocês: A sua realidade de favelado/marginal mudou?
E por isso os negros, todos nós somos negros, mesmo sem querer. E por que somos descriminados por cor? Você já viu algum negro sofrendo racismo? Te digo que ver não é o problema, é até difícil não ver.
Temos que parar de julgar uma pessoa por sua cor de pele e por sua cultura. E a discriminação acaba sendo mostrada em todos os lugares, mais e mais, e aceitamos esse racismo.
Está na hora de acabar com esse conjunto de ideias mediocres de que uma raça pode mudar sua capacidade. Temos que esquecer a cor da pele (o que não importa), e lembrar que somos todos “Cleiton”….
Ou melhor, o pior disso tudo é lembrar que não só somos frutos de escravidão, somos os frutos de uma terra semeada com miscigenação. Onde a terra é o lugar de pessoas de todos os lugares, de todas as cores, de todas as culturas e todo o mundo.