(Foto: Divulgação/DMC Brazil)

DJ Seu Osvaldo: seis décadas de bailes mecânicos

Entre nomes novos ou já consagrados nas pick-ups, Seu Osvaldo Pereira é referência para todos.

Aos 81 anos de idade, o primeiro DJ do Brasil segue nas pistas realizando um sonho de criança.

Criado na roça, no Sul de Minas Gerais, ele acompanhava a irmã bailes e apreciava o violão e os programas de rádio.

Quando se mudou com a família para São Paulo, aos 12 anos, o pequeno Osvaldo fez um curso de rádio por correspondência e começou a trabalhar em uma loja de discos no centro da cidade, onde conheceu novos sons e aptidões.

Nas festas de aniversário ou de casamento da zona Norte, ficava trocando os discos na vitrola. Logo, começou a ser contratado para esses rolês.

Porém, Seu Osvaldo entrou de fato para a noite profissionalmente em 1958, quando começou a realizar os “bailes mecânicos” no Edifício Martinelli, centro de São Paulo.

Em uma época em que as festas eram animadas por grandes bandas e, portanto, tinham um alto custo de produção, o trabalho do DJ facilitou a realização das baladas e democratizou o acesso de quem tinha pouca grana para se divertir.

Os bailes mecânicos se popularizaram e outros membros da família Pereira ingressaram na cena, como Tadeu, Luis Carlos e Grandmaster Ney, respectivamente filhos e sobrinho de Seu Osvaldo.

“Com o baile mecânico, ganharam força toda a cultura Hip Hop e outros segmentos. Abriu portas pra muita gente”, diz Tadeu Pereira, para quem o trabalho dos DJs contribuiu para a inserção de outros elementos do Hip Hop no Brasil.

Ao longo de quase seis décadas de carreira, Seu Osvaldo vivenciou muitas mudanças. “A música evoluiu muito. Não podia imaginar que o que eu plantei no passado germinaria dessa forma”, conta ele, que hoje faz em média sete apresentações por ano.

Merecidamente, Seu Osvaldo foi o grande homenageado na final do DMC Brazil – a etapa brasileira do DJ Mixing Championship, a maior competição de DJ mixing performance do mundo, que aconteceu na última terça-feira (25/09).

O evento, que reuniu mais de mil pessoas no Teatro Sérgio Cardoso, também reverenciou outros ícones das pick-ups, como DJ Hum e KL Jay, do Racionais MCs. E das batalhas, o DJ Erick Jay do programa “Manos e Minas”, na TV Cultura, sagrou-se vencedor e representará o Brasil na final mundial do DMC, que acontece no dia 04 de outubro em Londres.

E aos novos nomes que surgem e buscam consolidação, Seu Osvaldo dá a dica: “O DJ tem que ter na alma a vontade de fazer o público dançar, vibrar”.

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