Diante de genocídio e redução da idade penal, Z’África Brasil denuncia “quem é o terrorista”

Quem tá na resistência há tanto tempo não foge à luta.

Ao completar 20 anos de carreira, o Z’África Brasil faz jus à trajetória que tornou o grupo de rap um dos mais representativos do País com o lançamento de seu quinto álbum independente – “Ritual 1 – A Vida Segundo os Elementos do Hip Hop”.

Com participações especiais de Fernandinho Beat Box e Amanda Negra Sim, o disco mescla ritmos como rap, maracatu, reggae e samba rock em 13 faixas inéditas que podem ser baixadas gratuitamente. Clique aqui.

Na faixa mais pesada, “Terrorista – parte 1”, os MCs Gaspar, Pitchô, Funk Buia e o DJ Tano denunciam o avanço da repressão policial, principalmente nas periferias das grandes cidades.

“Quem nasce na periferia já nasce visto como criminoso, terrorista. Mas a pergunta que fica no ar: é quem é o terrorista de fato?”, questiona Gaspar. “A polícia não tá aqui para proteger o pobre, cidadão comum, mas sim para proteger o rico, o empresário”.

O álbum “Ritual 1” faz parte de uma trilogia produzida por MC Pitchô. Os dois próximos discos já estão engatilhados e também narram atos de terrorismo que seguem acontecendo nas quebradas.

Afinal, todos os anos cerca de 56 mil brasileiros morrem assassinados. Mais de 30 mil são jovens e, dois terços deles, negros. Apesar das mortes, a maior parte da população segue anestesiada, enquanto oportunistas tentam desfechar mais um golpe contra os pobres, pretos e periféricos: a redução da maioridade penal dos atuais 18 para 16 anos.

“No próximos álbum, virá ‘Terrorista – parte 2’, que fará um relato das ações do Estado em nossas comunidades, mostrando os jovens que morrem anualmente nesta guerra disfarçada, convivendo diariamente com a repressão”, adianta Gaspar. O ciclo se fecha com “Terrorista – parte 3”.

Caminhada

Não é de hoje que o Z’África Brasil utiliza o hip hop como ferramenta de denúncia. O próprio nome do grupo, que faz analogia nossa matriz africana, traz um Z simbolizando Zumbi dos Palmares.

O primeiro disco gravado pelo grupo foi “Conceitos de Rua”, entre 1999 e 2000, coletânea que contou com vários grupos e artistas do rap italiano. Em 2003, lançaram “Antigamente Quilombos e Hoje Periferia”, e responsável pela projeção do trabalho do grupo. “Tem Cor Age”, entre 2006 e 2007, foi o terceiro CD. Já, entre 2007 e 2008, foi produzido o EP “Verdade e Traumatismo”.

“A gente deixou acontecer naturalmente, sem pensar em indústria ou mercado”, explica Gaspar.

Além da atuação em grupo ou com trabalhos musicais individuais, os integrantes do Z’África militam nas quebradas com oficinas, palestras e workshops de DJ, MC, graffiti, break e artes marciais.

Desde 1997, realizam trabalhos em lugares como o Círculo Palmarino e o Zumaluma (em Embu das Artes), no Projeto Afrobase (Rio Pequeno, zona oeste), no Espaço Comunidade (Jardim Monte Azul) ou no Davila (Jardim Maria Sampaio, zona Sul), além das Fábricas de Cultura, entre outros.

“O que chega pré-estabelecido, de fora, vem pra alienar. E a gente faz esse trabalho para não alienar. É um trabalho de resistência, porque o hip hop em si é um movimento de resistência”, completa Gaspar.

 

Anotaí!

O Z’África Brasil faz shows nos próximos dias em dois pontos de São Paulo

No CEU Campo Limpo

Quando? Nesta quinta, 21 de maio, às 19h30

Onde? Na avenida Carlos Lacerda, 678 – Pirajussara – zona Sul de São Paulo

Quanto? Gratuito

Mais informações: (11) 5843-4801

 

No Sesc Belenzinho

Quando? No sábado, 30 de maio, às 21h00

Onde? Na rua Padre Adelino, 1000 – Belém – zona Leste de São Paulo

Quanto? R$7,50 (comerciários), R$12,50 (meia entrada) ou R$ 25,00 (inteira)

Mais informações: (11) 2076-9700