Fotos: Patrícia Fernandes / Thiago Borges

Sem flores, sem chocolates, sem “eu te amo”. Na manhã deste Dia dos Namorados (12 de junho), um grupo de mulheres de diferentes bairros do Extremo Sul de São Paulo se reuniu em frente a Subprefeitura de Parelheiros para cobrar ações do poder público no enfrentamento à violência de gênero.

No último ano, pelo menos duas mulheres foram assassinadas por companheiros no Nova América, bairro no fundão de Parelheiros e que fica a mais de 45 quilômetros do centro da capital paulista.

Moradora do Barragem (outro bairro local), Sidineia Chagas (que fala no vídeo acima) é gestora da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura e do time de futebol de várzea Perifeminas, onde busca articular outras mulheres para discutir a desigualdade de gênero. Ainda assim, ela nota que um dos dois casos que aconteceram no bairro Nova América vitimou a filha de uma das mulheres com quem ela trabalha. “Está cada vez mais próximo da gente”.

O projeto que a mãe de uma das vítimas atuava é o Mães Mobilizadoras, que atua em parceria com escolas, postos de saúde e outros espaços promovendo os direitos humanos. A adolescente Sara Regina, de 16 anos, é mediadora de leitura do projeto no Nova América – e, por isso, fez questão de participar do ato.

Sem romance

No Brasil, a taxa de feminicídio é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o Mapa da Desigualdade 2018 da Rede Nossa São Paulo, Parelheiros é o 4º distrito de São Paulo com maior número de notificações de violência contra a mulher: 62 para cada 10 mil mulheres com idade entre 20 e 59 anos.

E segundo a pesquisa “Visível e Invisível – a vitimização de mulheres no Brasil”, feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em fevereiro deste ano, 42% dos casos de violência contra a mulher ocorreram no ambiente doméstico e em 75,4% o episódio mais grave de violência sofrido o agressor era um conhecido.

A auxiliar de serviços gerais Maria de Lourdes Jesus sentiu a morte de perto. Durante mais de 20 anos, a moradora da Vila Marcelo (também em Parelheiros) viveu um relacionamento onde sofreu todas as formas de violência, da psicológica até a física. Há 03 anos, ela decidiu romper o ciclo de violência por iniciativa própria – sem apoio do poder público. “Hoje, eu seria uma dessas estatísticas do feminicídio”, conta. Ainda assim, passou 01 ano escondida do ex-marido.

Para Silvani Chagas, que também faz parte da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura e do Perifeminas, é necessário haver uma articulação maior entre os diferentes serviços públicos que existem na região – do Centro de Cidadania da Mulher (CCM) e do Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV) até aqueles que não são especializados. “Será que os serviços públicos estão acolhendo essas mulheres vítimas de violência?”, questiona ela, no vídeo abaixo.

Após uma reunião com representantes da Subprefeitura de Parelheiros, as mulheres conseguiram promessa de que até a próxima quarta-feira (19/06) o poder público vai propor uma nova reunião ou até mesmo audiência pública entre diferentes serviços para discutir estratégias de combate à violência contra mulher na região.

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