Dia do Índio pra quem? Nesta quarta (19 de abril), povo Guarani Mbya do Extremo Sul debate resistência indígena no CEDECA Interlagos

Neste 19 de abril, os Guarani Mbya das aldeias Tenondé Porã e Kalipety (localizadas em Parelheiros) questionam: “Dia do Índio pra quem?”. No encontro promovido pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDECA Interlagos e pautado pelo povo Guarani Mbya, representantes das aldeias problematizam a situação dos indígenas no Brasil e, principalmente, na região Extremo Sul de São Paulo.

Além de um debate com a participação da Jerá Guarani (jovem liderança das duas aldeias) e Marcelo Zelic (diretor do CEDECA Interlagos e colaborador da Comissão Nacional da Verdade no eixo de questões indígenas), haverá apresentação do coral de crianças da aldeia, exposição de sementes cultivadas por eles e venda de artesanatos para angariar recursos para as lutas a serem travadas.

Histórico de resistência

A região Extremo Sul abriga a terra indígena Tenonde Porã, demarcada em 1987, e que abrigava até então as aldeias Barragem e Krukutu, que juntas somam apenas 26 hectares. Quase 2 mil pessoas vivem nas aldeias, o que gera uma densidade demográfica de 26 pessoas por hectare – considerada alta para o modo de vida Guarani Mbya. Essa terra foi demarcada em 1987, na mesma época da regularização da TI Jaraguá, na zona Norte de São Paulo, com apenas 1,7 hectare – a menor terra indígena do Brasil.

Desde a Constituição de 1988, os Guarani Mbya passaram a reivindicar a ampliação de seus territórios. No Extremo Sul de São Paulo, o processo para ampliação da TI Tenondé Porã se iniciou em 2002 e se arrastou até 2013, quando os indígenas iniciaram uma campanha para o Ministério da Justiça publicar as portarias declaratórias que reconhecem esses territórios. Isso só aconteceu nas últimas horas do governo Dilma Rousseff, no início de maio de 2016, antes da ex-presidenta ser afastada do cargo pelo Senado Federal.

A portaria declaratória que reconhece a Tenondé Porã destina 16 mil hectares entre o Extremo Sul de São Paulo e os municípios de São Bernardo do Campo e Itanhaém para os Guarani Mbya. Apesar desse reconhecimento, ainda não há demarcação – o que coloca em risco a garantia das terras para os indígenas.

18 anos de CEDECA

O encontro de 19 de abril faz parte da programação que celebra os 18 anos do CEDECA Interlagos. Além de relembrar sua fundação em fevereiro e promover direitos de crianças e adolescentes nas ruas com o Bloco da Lona na sexta-feira de Carnaval, em março a organização debate as lutas das mulheres na cidade e, nos próximos meses, soma esforços contra a violência sexual contra crianças e adolescentes (maio) e o trabalho infantil (junho), culminando com as discussões de julho por conta do aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Fundado em 20 de fevereiro de 1999 a partir da experiência de militantes e defensores/as de direitos humanos de criança e adolescente com trabalhos nas comunidades da região da Capela do Socorro e Parelheiros, no Extremo Sul da cidade de São Paulo, o CEDECA Interlagos tem a missão de atuar na proteção jurídico-social de crianças e adolescentes dessas periferias com objetivo de fortalecer a participação popular na defesa dos direitos humanos e disseminar essas temáticas na perspectiva infanto-juvenil.

No atual contexto de desemprego, cortes nos investimentos em saúde e educação e propostas para limar direitos de trabalhadores e aposentados, somado ao histórico racista e machista da sociedade brasileira, essas lutas se acirram ainda mais.

Anotaí!
O quê?

Guaranis Mbya do Extremo Sul: Dia do Índio pra quem?

Mais informações: No Facebook: https://www.facebook.com/events/410634802627455/?notif_t=plan_user_associated¬if_id=1491797210788913 
Quando? Quarta-feira (19 de abril), das 13h30 às 17h
Onde? CEDECA Interlagos
Rua Nossa Senhora de Nazaré, 51 - Cidade Dutra - Extremo Sul de São Paulo
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