Biblioteca Popular do Jardim Rebouças pede apoio para manter projeto

Especulação imobiliária aumenta e o Coletivo busca uma nova sede

Poderia ser uma história de ficção, contada num dos livros da Brechoteca – Biblioteca Popular do Jardim Rebouças, mas não é. O Coletivo Achadouros de histórias pede, em carta aberta, apoio da população para que o projeto continue em 2016.

A partir do mês de abril, o espaço compartilhado entre o Brechó e a Biblioteca desde 2009, no Campo Limpo, sofrerá reajuste acima do IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado). O novo contrato estipula R$1.300,00 de aluguel, muito distante dos R$630 que se pagava em 2013.

Diante da situação, o Coletivo não tem condições de custear os gastos com aluguel, água, luz, telefone e a ajuda de custo a quatro funcionárias. Normalmente, o projeto se mantém de editais, e quando não, da ajuda do poeta Binho (do Sarau do Binho), mas com os novos valores do mercado imobiliário, torna-se insustentável.


A Biblioteca Comunitária é um importante ambiente de lutas pela democratização de acesso ao livro e fomento à leitura. Para que a iniciativa não morra, toda a ajuda é bem vinda. Busca-se principalmente algum espaço público ou prédio abandonado na região do Jd. Rebouças/Jd. Umarizal – Campo Limpo que abrigue o projeto.

Para ajudar, entre em contato com:

Brechoteca Biblioteca Popular.
Coletivo Achadouros de Histórias
Alessandra Leite, Bianca Pereira, Cristiane Lima e Mara Esteves.

Rua Andrea de Firenze, 01 – Jd. Rebouças
(11) 5844-1682

 

Confira, a seguir, carta aberta do Coletivo Achadouros de Histórias:

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Coletivo Achadouros de Histórias – grupo gestor da Brechoteca Biblioteca Popular.
Carta Aberta aos leitores, parceiros, amigos e apoiadores A Brechoteca precisa da sua ajuda para não fechar as portas!

Como muitos sabem, a Brechoteca – Biblioteca Popular é uma biblioteca comunitária que atua na região do Jd. Rebouças/Campo Limpo desde 2009. Nossa atuação tem caráter cultural e social, sem fins lucrativos, com foco em ações de fomento a leitura e beneficia diretamente um público de 338 leitores, em sua maioria crianças e adolescentes, moradores do entorno.

Para manter o funcionamento diário do espaço e suas atividades concorremos anualmente em editais que competem aos órgãos municipais, estaduais, inclusive, prêmios vinculados ao governo federal, correndo o risco de sermos contemplados ou não.

A Brechoteca está sediada em um imóvel comercial e privado e vivencia o excessivo aumento do aluguel, além daquele acordado conforme o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) – de R$ 630,00 (2013) passaremos à R$ 1.300,00 na próxima renovação de contrato (abril/2016). Sendo assim, a presente situação coloca em risco a sustentabilidade e continuidade desse projeto, uma vez que, o aluguel continuará a subir ano após ano.

Diante deste contexto, para continuar com a nossas ações e lutas pela democratização de acesso ao livro e fomento a leitura, estamos buscando na região do Jd. Rebouças/Jd. Umarizal – Campo Limpo um espaço público ou prédio abandonado, espaço, sala, galpão que possa abrigar nossa biblioteca comunitária.

O desafio da sustentabilidade acompanha a nossa história.A Brechoteca foi idealizada e mantida até 2012 pelo poeta Binho (Sarau do Binho), sua irmã Lola e família. Neste período, iniciaram as atividades de acesso e fomento ao livro e a leitura, mas a biblioteca dividia espaço com um brechó de roupas e objetos, cujas vendas não cobriam os gastos mensais do espaço, tendo que ser mantido pelo Binho.

A partir 2012 o Coletivo Achadouros de histórias vem fazendo a gestão do espaço da biblioteca comunitária, sendo possível a continuidade das ações mediante a escrita e da seleção em Editais pontuais como o Programa VAI (Secretária Municipal de Cultura) e, por vezes, contando ainda com a ajuda pessoal do Binho (nos meses iniciais do ano onde não temos recursos para custear o aluguel – caso de 2013 e 2015).

O ano de 2015 foi muito importante para a Brechoteca. Um ano em que, ao mesmo tempo que aprofundamos nossas raízes e vínculos com a comunidade, espraiamos nossas ações para o território, em um trabalho Inter setorial envolvendo diversos atores locais: o CCA Aquarela (assistência social), UBS Jd. Olinda (saúde), EMEF Dr. Sócrates Brasileiro (educação), Biblioteca Pública Marcos Rey (cultura), Coletivo Aqui que a gente brinca, Coletivo Xiloidentidade, Parque Municipal dos Eucaliptos, Sarau do Binho, FELIZS (Feira Literária da Zona Sul), Rede de educadores brincantes, entre outros.

Foram diversas ações conjuntas e o reconhecimento chegou de forma duplamente especial: pela comunidade, que se aproximou – e se apropriou – ainda mais do espaço (especial menção à mães que estreitaram laços com a biblioteca e com o jardim comunitário que criamos na beira do Córrego da Olaria) e pelo poder público, por meio do Prêmio Todos por um Brasil de Leitores 2015, onde fomos contemplados na categoria A (boas práticas e projetos inovadores em Bibliotecas Comunitárias/Pontos de leitura) na 12º posição, porém ainda não se tem previsão de quando o repasse do recurso será realizado.

Desde janeiro deste ano não temos verba para custear o aluguel, água, luz e telefone, e a ajuda de custo das 4 pessoas que atuam na biblioteca (Bianca, Mara, Cris e Alessandra). Hoje estamos trabalhando na Brechoteca de forma voluntária, sem nenhum tipo de auxílio, o que limita e põe em risco nossa atuação no espaço, dadas as responsabilidades comuns a vida de todo trabalhador. Tivemos também a grande alegria no início deste ano de 2016 de fazer parte do polo de bibliotecas comunitárias, LiteraSampa, que tem como objetivo desenvolver estratégias de sustentabilidade política, financeira, técnica e ações coletivas.

As organizações que compõem o Polo possuem em comum projetos de formação de leitores e são apoiadas pelo Programa Prazer em Ler do Instituto C&A, os recursos provenientes deste apoio são muito importantes e chegam em boa hora para a Brechoteca, mas este recurso não consegue dar conta de todos os nossos gastos.

Sabemos que a vulnerabilidade financeira a que estamos expostas é a mesma de várias bibliotecas comunitárias, somos mais de 100 na cidade de São Paulo, estamos nas bordas, nos fundões, nas periferias, fazendo o que o poder público deveria fazer, porque bibliotecas deveriam existir em todos os lugares da cidade.

Reconhecemos que um grande avanço foi dado no reconhecimento da autenticidade do plano municipal do livro, leitura, literatura e biblioteca (PMLLLB) na cidade, que tem como uma de suas diversas metas o fomento às bibliotecas comunitárias, mas sabemos que a luta está só começando e ainda há muito o que se conquistar, e que isso leva tempo, e até os recursos chegarem, talvez muitas bibliotecas criadas e geridas pela comunidade deixem de existir.

Por isso, vimos a público para expor nossa realidade (que sabemos vai de encontro com as necessidades de muitas outras bibliotecas comunitárias), e ressaltar a importância de garantirmos políticas públicas que fortaleçam iniciativas que atuam pelo direito à cultura e à ocupação dos espaços públicos, seja por meio do fomento à literatura, dos saraus, da música, da dança, das brincadeiras e manifestações populares.

Seguimos em luta, em busca de um espaço que possa abrigar a Brechoteca! E toda e qualquer forma de apoio é bem-vinda![/box]