Aluguel caro expulsa imigrantes do centro para as periferias

Para se manterem próximos uns dos outros, imigrantes criam colônias de solidariedade nos lugares onde se fixam.

Em São Paulo, são vários os redutos: na Liberdade, estão os orientais; na Moóca e no Bixiga, os italianos; na Vila Zelina, os povos do leste europeu; na região da 25 de Março, os árabes; em Higienópolis, os judeus.

Apesar de estabelecerem próximo dos postos de trabalho, em bairros centrais como Glicério, Bom Retiro, Brás, Pari e Canindé, os imigrantes “periféricos” passam pelas mesmas dificuldades que brasileiros pobres – paulistas ou de outras regiões do País – enfrentaram décadas atrás: o alto custo de vida. Por isso, muitos deles estão optando por morar longe do centro.

Os aluguéis mais baratos, o menor custo dos serviços e a assistência social prestada pelo serviço público acabam influenciando a opção por morar nas periferias”, explica Grover Calderón, que está há 15 anos por aqui e é presidente da Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil (Aneib).

O povo brasileiro, fundamentalmente na periferia, é muito caloroso e geralmente eles recebem de braços abertos”, diz Calderón. E, uma vez na quebrada, os imigrantes começam a fincar raízes no Brasil e ingressam em movimentos sociais, como a luta por moradia. “Esses imigrantes vão fazer de grupos que estão reivindicando moradia, vão integrar as escolas públicas e o SUS”, diz Calderón.

Assim, é possível encontrar bolivianos em ocupações do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e na ocupação Jardim da União, no Grajaú (Extremo Sul de São Paulo). Haitianos estabelecem novas colônias em Interlagos e Cantinho do Céu, também na zona Sul, onde senegaleses comercializam réplicas de relógios de marca. Outros africanos se estabelecem no Extremo Leste da cidade.

O mercado formal de trabalho, entretanto, é mais complicado. Por isso, as opções que restam a muitos imigrantes são as áreas da construção civil, o trabalho doméstico, o comércio ambulante ou a costura – sem contar aqueles que acaba se envolvendo com a criminalidade.

 

PRÓXIMA REPORTAGEM: Criminalizado, imigrante ainda é assunto de polícia no Brasil. Legitimar suas ações é o desafio do poder público. Clique abaixo para ler todas as reportagens da série:

 

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