Vestidos de preto, com velas na mão e acompanhados da família.

Esse é o pedido de pelos menos 11 entidades e movimentos sociais que convocam para às 14h deste domingo (14 de abril), na avenida Paulista, um ato que marca o 7º dia do assassinato de Evaldo dos Santos pelo Exército Brasileiro. A manifestação também é pela recuperação dos dois feridos por balas pelos militares e denuncia o genocídio negro sistemático no País.

O ato é convocado por Rede de proteção contra o genocídio, Uneafro Brasil, Afronte, Kilombagem, Marcha das Mulheres Negras/SP, Movimento Negro Unificado (MNU), Selo Homens de Cor, Selo Preto Black, Movimento Nacional de Meninos e meninas de Rua, MNPR – Movimento Nacional População de Rua e Rosanegra Ação Direta e Futebol.

No último domingo (07/04), militares em um jipe do Exército fuzilaram um carro em Guadalupe, área pobre na zona norte do Rio de Janeiro. Evaldo dos Santos seguia com a mulher, o sogro, o filho de 07 anos de idade e uma amiga do casal para um chá de bebê quando o veículo da família foi alvo de 80 tiros.

Músico e segurança com 51 anos de idade, Evaldo morreu na hora mesmo com sua esposa Luciana saindo do carro com o filho e pedindo para os militares pararem de atirar. O sogro de Evaldo e outro homem, que passava pelo local e tentou ajudar a família, foram feridos e seguem internados. Os 10 militares envolvidos foram presos e serão julgados pela Justiça Militar.

Em artigo, o professor e militante Douglas Belchior questiona se “não seria necessário também falar sobre a importância da autorização, do estímulo e até as ordens para matar, proferidas por seus superiores? Eles também tem responsabilidade sobre a ação de seus comandados”. Leia aqui.

Segundo a Ponte Jornalismo, as mortes acontecem em momento que o Rio de Janeiro registra crescimento nas mortes provocadas por policiais, vinculados diretamente ao governo do estado, gerido desde janeiro pelo governador Wilson Witzel (PSC), apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em dois meses, o braço armado matou 305 pessoas, crescimento de 67% em dois anos e se tornando responsável por a cada três homicídios dolosos registrados no Rio.

“É preciso dizer: São responsáveis pelo assassinato de Evaldo e tentativa de assassinato de sua familia, amigos e outros afetados, o presidente Bolsonaro, o ministro Moro, a maior parte do Congresso Nacional, o governador do Rio Witzel, o comando do exército, a grande mídia que apoia essa política genocida de segurança pública e parte considerável da sociedade que sustenta esse governo. São, todos estes, em alguma medida, responsáveis, logo, assassinos também. E o estado, genocida. E devem ser responsabilizados”, continuou Belchior, no artigo.

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