Adolescentes saem às ruas do Grajaú por cancelamento da reorganização escolar

Mais de 30 adolescentes que moram no Extremo Sul de São Paulo realizaram, na tarde desta terça-feira (15/12), um cortejo pela avenida Belmira Marin, no Grajaú. Com panfletagem, cartazes e batucada, eles protestavam pelo cancelamento da reorganização escolar. O cortejo terminou em frente ao Terminal Grajaú, onde o batuque continuou, além de acrobacias.

“Mas a reorganização não foi suspensa?”, perguntou uma mulher, que passava pelo local. “A reorganização não foi cancelada. Ela só foi adiada. E nós acreditamos que podemos protagonizar a nossa própria luta”, responderam, em jogral, todos os participantes do ato.

CONFIRA A COBERTURA FOTOGRÁFICA REALIZADA PELOS ADOLESCENTES:

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Após mais de 200 escolas serem ocupadas por estudantes, há quase duas semanas o governador Geraldo Alckmin veio a público para comunicar a suspensão do plano de reorganização das escolas estaduais que fecharia 94 delas, mudaria o ciclo de ensino em mais de 700 e afetaria diretamente mais de 300 mil estudantes. Porém, o anúncio vago e a publicação no Diário Oficial não explicam se o plano pode ser colocado em prática novamente, se haverá audiências públicas sobre o assunto e se os alunos terão poder de decisão nas escolhas.

A intervenção no Grajaú, realizada para lembrar à população que a luta continua, encerra a terceira edição do Encontro de Arte e Midiativismo, promovido pelo Cedeca Interlagos em parceria com o coletivo de comunicação Periferia em Movimento e participação de mais de 30 adolescentes que estudam em pelo menos 10 escolas da região.

Mapeamento da escola atual (em vermelho) e a dos sonhos (preto) feita pelos participantes do III Encontro de Arte e Midiativismo (Foto: Vanessa Candida / Cedeca Interlagos)
Mapeamento da escola atual (em vermelho) e a dos sonhos (preto) feita pelos participantes do III Encontro de Arte e Midiativismo (Foto: Vanessa Candida / Cedeca Interlagos)

Ao longo de cinco semanas, os participantes debateram sobre o poder dos meios de comunicação, midiativismo, a reorganização escolar e como gostariam que fosse o sistema de ensino. Entre os aspectos negativos da escola listados pelos estão as grades, o autoritarismo, o desconforto, o conteúdo essencialmente teórico e as salas superlotadas. Por outro lado, gostariam de palestras, projetos, aulas práticas e ao ar livre que integrassem a escola à comunidade, com a manifestações culturais e participação nas decisões pedagógicas.

Além disso, conversaram com convidados como a jornalista Cláudia Belfort, do site Ponte, e o ativista digital Edu Graja. No auge das ocupações das escolas, eles realizaram uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pela internet com o professor Alan Amaro e o militante Emerson Fonseca, do coletivo O Mal Educado. Confira abaixo:

 

 

  • O governador Geraldo Alckmin já suspendeu a reorganização.
    Não tem mais cabimento manter os protestos e as invasões das escolas. Muito
    menos estes atos de vandalismo. Os que continuam são de movimentos partidários
    com objetivo de colocar a população contra o governador e de tentar tirar o
    foco dos escândalos do governo Dilma. Apeoesp, MTST, Ubes e Upes, entidades
    dirigidas pelo PT e PCdoB estão por trás disso.