Como ensinar bebês sobre o direito ao próprio corpo e seus limites? De que forma acolher uma criança ou adolescente vítima de violência sexual? Qual é o papel do homem (e dos meninos) na desconstrução de uma masculinidade e heteronormatividade que contribui para o sofrimento de meninas cis, trans e travestis?

Para abordar essas questões, durante este mês de maio o projeto Sexualidade Aflorada publicou em sua página no Facebook a campanha #18Vozes, com vídeos com 18 pessoas que atuam no combate às violências sexuais infanto-juvenis na região Extremo Sul da cidade de São Paulo. Assista logo abaixo.

“Inclusive indo na contramão do que diz o atual Presidente da República, de que não devemos falar disso com crianças e adolescentes”, explica a psicóloga Elânia Francisca, idealizadora do projeto, que chama atenção para o caso da própria ministra de Jair Bolsonaro, Damares Alves, que foi vítima de violência sexual praticada por dois pastores evangélicos quando era criança. Leia aqui.

Há 10 anos, Elânia faz oficinas de gênero e sexualidade na quebrada. Nesse período, ela percebeu que ainda há uma demanda muito grande por informações sobre isso, mesmo entre quem trabalha atendendo crianças e adolescentes.

Ainda sobre isso, neste sábado (25/05) Elânia participa do Sarau Despertar, que vai abordar o assunto em uma roda de conversa. O sarau acontece a partir das 18h30, no Centro Comunitário Jardim Sete de Setembro. Saiba mais aqui.

Por que 18 de maio? Em 2014, foram registradas 24.575 denúncias de violência sexual (entre abuso e exploração) contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, segundo a Fundação Abrinq. Para mobilizar a sociedade brasileira contra a violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes, 18 de maio foi estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em 1973, neste dia, a menina Araceli de 8 anos foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES). Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado, e os agressores nunca foram responsabilizados.

Confira os vídeos abaixo!

Dia 1: Como denunciar pelo Disque 100?

Quem nos ajuda nessa reflexão é Everton Borges, assistente social e morador do Extremo Sul de São Paulo, que foi coordenador da Rede de Enfrentamento às Violências Sexuais contra Crianças e Adolescentes na Capela do Socorro e é militante na defesa de direitos humanos de crianças e adolescentes.

Dia 02: É possível trabalhar prevenção à violência sexual com bebês?

A pedagoga e educadora Elaine Mendes, que mora no Jardim Ângela e é mãe e avó, explica como se aproximar de bebês e crianças pequenas respeitando seu espaço.

Dia 03: Como realizar uma escuta inicial acolhedora?

Quem faz essa reflexão é a assistente social Mayalle Fernandes, especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena e trabalhadora de um Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Sexuais (SPVV) no Extremo Sul.

Dia 04: Ensinar meninos a ter uma masculinidade tóxica também é violência sexual

Dizer a meninos que eles não podem chorar, que devem tratar meninas como inferiores ou incapazes de realizar certas atividades faz com que o desenvolvimento sexual seja prejudicado. Rafael Cristiano, do projeto Masculinidade Quebrada do Grajaú, partilha sua experiência no trabalho de educação em sexualidade com meninos adolescentes e provoca uma reflexão sobre masculinidades e violências.

Dia 05: Quais impactos da violência sexual vivenciada na infância podem gerar na vidas de mulheres adultas?

Denunciar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes permite que a Rede de Proteção seja acionada e profissionais capacitadas (os) possam construir um processo de fortalecimento e ressignificação junto às vítimas. Mas o que acontece quando essas feridas não são cuidadas na fase em que a violência sexual aconteceu?

Quem explica é Cibele Bitencourt Silva, moradora do Extremo Sul que é psicóloga clínica, mestranda em Psicologia Social pela PUC-SP e idealizadora do Projeto A fluir Psico.

Dia 06: Rede de Enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes da Capela do Socorro e Parelheiros – Como ela pode ajudar?

Quem nos ajuda nessa reflexão é a assistente social Ilma Pereira, membro da Rede de Enfrentamento e trabalhadora de uma organização que trabalha diretamente no atendimento à crianças e adolescentes na comunidade em que reside. Ilma coordena o projeto Nós em Rede, que desenvolve ações de mobilização e educação em sexualidade na Capela do Socorro e Parelheiros.


Dia 07: Como homens adultos podem dialogar sobre masculinidades saudáveis com meninos?

Como vimos no vídeo do dia 04 de maio, a masculinidade tóxica ensina meninos adolescentes uma sexualidade que tem por base a violência como forma de obter prazer. Mas como homens adultos podem contribuir no rompimento desse jeito agressivo de ser homem? Quem aponta reflexões para as masculinidades saudáveis é Bruninho Souza, educador e mediador de leitura na Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura em Parelheiros.

Dia 08: As sutilezas das violência sexuais contra crianças e adolescentes

Racismo, machismo, cisnormatividade, heteronormatividade… O que tudo isso tem a ver com violência sexual? A reflexão é feita por Renato Xavier Santana, morador do Extremo Sul, psicólogo clínico e idealizador do Projeto Rascunhos de Gênero, que discute psicologia, sexualidade, relacionamentos e coisas do gênero.


Dia 09: Violência sexual contra meninas no contexto do futebol feminino

Jogar bola deveria ser a concretização da garantia do direito ao esporte e lazer, contudo não são raros os casos de meninas assediadas por técnicos e treinadores que deveriam compor a rede de proteção dessas meninas. Quem nos traz reflexões sobre a violência sexual no contexto do futebol é Silvani Chagas, jogadora, co-fundadora da Coletiva Perifeminas F.C. de Parelheiros.

Dia 10: Violência sexual contra meninas no ambiente escolar

Como temos olhado para os casos de violência sexual que vêm de homens que deveriam estar promovendo o direito à educação? Para dialogar sobre isso convidamos Lidia Sena e Thais Pires Vieira, da Coletiva Subversivxs, que executa ações de reflexão e acolhimento na região da Capela do Socorro.

Dia 11: Casamento Infantil

Você sabia que o Brasil é o quarto país com mais casos de casamento infantil no mundo inteiro? Ficamos atrás somente da Índia, Nigéria e Bangladesh. Esses dados estão disponíveis aqui.

E quem nunca disse (ou ouviu alguém dizer): “Minha avó se casou aos 13 anos e foi no laço”? O caso é que essa realidade, infelizmente, não é algo que só existiu “no tempo de nossa avó”… Precisamos falar sobre casamento infantil. E quem ajuda nessa reflexão é Cristiane Rosa, moradora do Grajaú, ativista e doula.

Dia 12: Como o adultocentrismo silencia direitos sexuais de crianças e adolescentes?

Adultocentrismo é a ideia de que a voz de crianças e adolescentes tem menos peso que a voz de adultos. E isso influencia negativamente a formulação de políticas para a infância, adolescência e juventude, pois desconsidera a escuta de meninos e meninas e acaba por criar projetos e programas pouco atraentes para o público que deveria ser central.

Quem nos ajuda nessa reflexão é Maria Eduarda Figueroa, a MaDu, jovem e moradora do Grajaú que atua há muito tempo na defesa do direito à participação e também na garantia dos direitos sexuais e reprodutivos.

Dia 13: Como violência sexuais afetam corpos de meninos gays?

Adolescência é um período de muitas transformações e descobertas. Apaixonar-se pela primeira vez, sentir desejo, perceber as mudanças que os afetos geram em nossos corpos… Tudo isso deveria ser um processo saudável de experimentações entre pares (adolescentes e adolescentes).

Contudo, se você for (ou tiver sido) um adolescente gay, talvez suas vivências não tenham sido tão saudáveis assim. Isso porque a heterossexualidade se apresenta em nossa sociedade de forma compulsória e faz com que pessoas não-hétero sejam punidas e violentadas única e exclusivamente por vivenciarem afetos.

Quem traz essa reflexão é Rafael Fernandes, assistente social num Centro de Cidadania LGBTI na cidade de São Paulo e morador do Capão Redondo.

Dia 14: Como a família pode atuar junto às crianças na prevenção de violências sexuais?

Que tal aproveitar a data para dialogar com as crianças mais novas em sua família? Quem ajuda a pensar sobre a importância de discutir essa temática com as crianças é Juliana Cardoso de Lima, assistente social, mãe e tia de crianças com quem tem realizado a tarefa afetuosa de construir possibilidades de cuidado e proteção.

Dia 15: Violências no namoro: O que nós adultos temos ensinado aos adolescentes sobre o amor?

Namorar, trocar afetos, beijinhos e carinhos… Parece uma delícia e, de fato, é! O problema é que muitos meninos e meninas (num relacionamento heterossexual) reproduzem modelos de namoro a partir do exemplo de adultos. O machismo afeta diretamente o modo como meninos e meninas criam laços afetivo-sexuais, logo também é uma espécie de violência que afeta a sexualidade.

Paula Dionisio, psicóloga e moradora do Extremo Sul, traz uma provocação sobre o que temos ensinado sobre amor e como meninos em meninas vão se inspirando em nós, adultos, para tecer relações muitas vezes opressoras.

Dia 16: Top 10: O que é e quais os desafios para a defesa de direitos de crianças e adolescentes?

Você já ouviu falar de Top 10? São vídeos feitos com objetivo de expor a intimidade e sexualidade de meninas e meninos (em sua maioria, meninos gays), categorizando-as (os) em “as dez mais vadias”. Os vídeos geralmente são feitos por adolescentes, o que nos traz um desafio: como pensar um processo de garantia de direitos e enfrentamento ao Top 10, uma vez que tanto vítima quanto ofensor têm a mesma faixa etária? Quem reflete sobre isso é Regiane Soares, feminista negra e membra dos Coletivo Rusha Montsho e ABAYOMI ABA Pela Juventude Negra Viva, que atua prioritariamente em Parelheiros.

Dia 17: Como a cisnormatividade promove a exploração sexual de meninas adolescentes transexuais e travestis?

Cisnormatividade é um termo usado para dizer que nossa sociedade só respeita e valida a existência de corpos cisgênero, invisibilizando as existências trans. Invisibilizar crianças e adolescentes trans é não priorizar sua proteção. E Samara Sosthenes fala sobre a violência sexual contra corpos de meninas trans e travestis que é gerada pelo não-acolhimento da sociedade.

Dia 18, Parte I: A música e a erotização de crianças e adolescentes

A música está em todos os momentos de nossa vida. O som do útero para os fetos, as canções de ninar para bebês… Mas as letras de música retratam algo que já existe na sociedade, e engana-se quem pensa que estamos falando exclusivamente de funk! É na letra do rock de Raimundos que o homem adulto diz que aquela menina já sabe brincar de fazer neném.

Para olhar sobre a erotização presente nas músicas, ouvimos Estela Cândido, musicoterapeuta e membra do Coletivo MT, que atua na região do Grajaú e Parelheiros com a Biblioteca Itinerante Feminista e rodas de musicoterapia para mulheres.

Dia 18, parte 2: O papel da Comunicação no enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes

A campanha é finalizada com a reflexão de Aline Rodrigues, jornalista e educomunicadora na Periferia em Movimento, falando sobre o papel da comunicação na defesa de direitos sexuais e reprodutivos.

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