As manifestações culturais são importantes espaços para discussão de questões estruturais da sociedade, como o machismo e a LGBTfobia. Por isso, no mês de luta por direitos das mulheres, a Periferia em Movimento indica em sua agenda semanal 09 atividades da ponte pra cá que são protagonizados por minas, manas e monas.

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No microfone

Sarau pra quem é de sarau. Nesta quinta (12/03), o sarau Sobrenome Liberdade lembra de respeito, igualdade, eliminação de violências cotidianas e acolhimento nos espaços com microfone aberto – e pra celebrar esse momento, recebe Elizandra Souza e Pitoniza. A partir das 20h, no Relicário Rock Bar, que fica na rua Manoel de Lima, 178 – Jordanópolis, Extremo Sul de São Paulo. Saiba mais aqui.

Elizandra é uma das referências em literatura negra produzida nas periferias de São Paulo, com uma trajetória de 18 anos de ativismo cultural. Em primeiro livro de prosa, reúne 12 contos, simbolizando os ministros de Xangô. Já a MC Pitoniza passou pelas ruas e as drogas das “calles” argentinas. Aos 16 anos, foi na escrita e no rap que encontrou novos caminhos que expandiram para os outros elementos do movimento, até que compreendesse a força unida da rima, da batida, do movimento corpo-chão e da ocupação dos muros da cidade.

Sarauê (Foto: Erivelton Camelo)

E no sábado (14/04), em Parelheiros, o Sarauê comemora 05 anos de existência com uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, que também faria aniversário na mesma data. Conhecida principalmente pela obra “Quarto de Despejo”, a escritora mineira foi catadora enquanto morava na extinta favela do Canindé e morou seus últimos anos de vida em um sítio no Extremo Sul de São Paulo.

Além de roda de conversa, exibição do curta-metragem “Carolina – o filme” e samba para Carolina com Luana Bayô, a programação feita em parceria com o Sarau Quinta em Movimento tem intervenção de arte com Nino Santos; lançamento do livro “silêncios prEscritos”, com Fernanda Miranda; exposição e venda de algumas obras do artista Raascko; intervenção de dança com Well Black; microfone aberto e sorteio de brindes. Das 17h às 22h, na Praça Julio Cesar de Campos. Informações aqui.

Em roda

Se o assunto gera debate, vamos sentar em roda pra destrinchar as ideias. Na sexta-feira (13/03), o evento Sexta na Vila celebra a cultura LGBTQI+, com roda de conversa, discotecagem e dança. Às 19h, no Dalidalama, que fica na rua Ribatejo, 215, também no Jordanópolis. Confira aqui.

Já no sábado (14/03), o La Fancha Casa Restaurante promove o 5º encontro do projeto “Retomada à La Fancha, uma Jorna Lírica Poética Lesbiana!”. Com a consciência de que há muito tempo mulheres de diferentes povos e etnias lutam contra o domínio opressor do sistema patriarcal, o espaço convida mulheres em uma programação variada – e com comida. A partir das 14h até 22h, na rua Olimpio Soares de Carvalho, 21, no Grajaú, Extremo Sul de São Paulo. Saiba mais aqui.

Homenageada da edição, a poeta Formiga fala de seu trabalho como poeta, militante e também recita poemas do livro “Afro Latina”. Quem segue nesse fluxo é a artista do Grajaú Mayana Vieira, que lançou o livro Motumbá pelo Sarau das Mina. Psicólogas e educadoras no A Bordar Espaço Terapêutico, Dayana Almeida e Elânia Francisco apresentam o projeto “Vulvarias”. E a travesti escritora e articuladora cultural Marci Marci aborda transgeneridade e cisgeneridade.

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Edição da Crash Party do Coletivo Crash, Capão Redondo (Foto: Divulgação)

Do outro lado da Zona Sul, no Jardim Ibirapuera, o Bloco do Beco recebe o Ciclo de Conversa do Coletivo Cultural Sankoka, que convida artistas e ativistas LGBTQI+ para dialogar sobre suas presenças nas regiões que vivem na cidade de São Paulo.

O grupo aborda se há espaço para seus afetos em São Paulo e como seus corpos-afetos marcam presença nas superfícies urbanas dessa cidade. A prosa será mediada pelo Coletivo Crash, que convida Princess (modelo Loyal), Mari (modelo Loyal), Thiago Pires (idealizador THG VEST) e Flip (festa Amem, abordando assunto corpo soro positivo). Das 15h às 17h, na rua Bento Barroso Pereira, 2. Saiba mais aqui.

Em cena

Se sua cara é o teatro, indicamos 03 programas em cartaz.

Em “Canto das Ditas”, o Núcleo Teatral Filhas da Dita apresenta histórias de mulheres negras de associando-as às orixás femininas cultuadas pelas iorubás para contar a história de criação de Cidade Tiradentes (no Extremo Leste da capital paulista).

Formado majoritariamente por mulher e homens negros, o bairro traz em seu processo de nascimento a força, a determinação e os sonhos de uma vida melhor, apoiada na perspectiva da casa própria – tão difundida na década de 1990 pelos programas de habitação social do Governo do Estado.

A estreia acontece às 20h desta quinta-feira (12/03) na Fabrica de Cultura da Brasilândia, com repeteco na sexta. O espetáculo segue para a Fábrica de Cultura do São Luís (19 e 20/03), Galeria Olido (27 e 28/03), Tendal da Lapa (03 e 04/04), Teatro Flávio Império (10 e 11/04) e Fábrica de Cultura de Cidade Tiradentes (17/04).

“Canto das Ditas” (Foto: Divulgação)

Já na sexta-feira (13/03), no Grajaú, o Grupo Identidade Oculta ocupa o Espaço Cultural Cazuá com a peça “Francisca Travessia”. Baseado na poética do escritor João Guimarães Rosa, o espetáculo aborda a história de uma menina matuta até se tornar mulher. A encenação acontece também nas próximas sextas de março, a partir das 20h45 na rua Alfonso Paulilo, 193 (antigo 31), no Jardim Eliana (Grajaú, Extremo Sul de São Paulo).

Foto Luciana Nascimento
Francisca: Travessia (Foto Luciana Nascimento)

No sábado (14/03), o Cazuá também recebe Denise Alves. Com um repertório que vai do rap à soul music, a cantora terá como show de abertura a apresentação das músicas de “Kalunga Grande Rios de Sangue Corpos Negros Jogados ao Mar”. O espetáculo aborda a relação entre a escravização de povos africanos com o confinamento nas periferias da cidade. A partir das 21h, na rua Alfonso Paulilo, 193 (antigo 31), no Jardim Eliana (Grajaú, Extremo Sul de São Paulo). Saiba mais aqui.

E pra completar o fim de semana, no domingo (15/03) o Coletivo Contágio apresenta o experimento artístico “Pode entrar, o cachorro está preso”. Formado por pessoas convivendo com o vírus HIV, o coletivo propõe a discussão sobre segredos e quebra de silêncio sobre o tema. A partir das 19h (retriada de ingressos 1h antes na bilheteria), no Centro Cultural Olido (Sala Paissandu), que fica na avenida São João, 473, no Centro. Saiba mais aqui.

Integrante do Coletivo Contágio, Andreará participou do programa “Quebra das Ideias”

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