Quando a quebrada é verso e prosa

Por Laís Diogo (reportagem) e Thiago Borges (edição de texto). Colaboração de André Lorente e Wilson Oliveira (transmissões). Fotos: divulgação

Cinco dias respirando literatura: 59 artistas e coletivos envolvidos em 46 atrações culturais e mais de 50 horas de atividades com a participação de pessoas de todas as idades.

Na semana passada, milhares de crianças, adolescentes, adultos e idosos tiveram a rotina tomada intensivamente pelas palavras: a primeira Festa Literária do Grajaú (FLIG) ocupou os poucos espaços públicos do Extremo Sul de São Paulo com verso e prosa.

“Por um bom tempo a arte foi algo do centro das elites, e a periferia tomou conta desses espaços também”, conta Kamila Monteiro, professora-orientadora de sala de leitura na rede municipal de ensino.

“Celebrar a diversidade cultural de nosso território, ser uma vitrine para ver e ser visto, trocar experiências e contato com outros colegas de outros coletivos. O espaço foi muito rico para que isso acontecesse”, aponta Aline Tavella, hoje bibliotecária do CEU Perus, mas com atuação de sete anos no Extremo Sul.

Dos saraus diversos, como Sobrenome Liberdade, do Grajaú ou Quinta em Movimento, aos shows de Denise Alves na abertura e a sequência de apresentações no encerramento de sábado, a FLIG cumpriu o seu papel.

“Já tem um tempo que o Grajaú vem explodindo em arte, explodindo em cultura, e precisava mesmo de um evento que juntasse esses artistas, coletivos e grupos que estão produzindo essa arte”, continua Kamila.

Articulação

Inspirada em festas como FLIP (em Paraty, litoral do Rio de Janeiro), a FLUPP (nas favelas cariocas), da Flipenha eFlict (ambas na zona Leste de Snao Paulo), e da Felizs (no Campo Limpo), a FLIG começou a ser pensada em agosto do ano passado na biblioteca do CEU (Centro Educacional Unificado) Vila Rubi.

O evento começou a ganhar corpo com a rede de bibliotecárias dos cinco CEUS da região – Cidade Dutra, Navegantes, Três Lagos e Parelheiros, além do Vila Rubi –, e articulou escritores e coletivos culturais da região.

“Essa festa serve para dar visibilidade para os artistas da região, porque artistas nós sabemos que temos bastante”, explica Cintia Mendes, bibliotecária do CEU Cidade Dutra.

“Fizemos o papel de agitadoras culturais, e fizemos toda a festa de forma coletiva”, complementa Beatriz Cristiane de Araújo, também do CEU Cidade Dutra.

“Em vários momentos, eu vi mulheres chorando, meninas de 12 anos se vendo em histórias. E é muito louco isso, porque não imaginávamos que tocaria nelas dessa forma”, conta Lilian Lorentte, bibliotecária no CEU Navegantes, sobre a mesa de debates que discutiu a presença das mulheres na literatura.

Aline Tavella agradece a todos que se voluntariaram para realizar a FLIG. “E é disso que a sociedade está precisando no momento: nutrir esperanças num futuro construído com gente do bem”, conta Aline, que acredita no desenvolvimento das próximas gerações, que deram seu recado na contação de histórias realizada pela escritora Lucimeire Juventino. “A melhor arma que temos é um livro”, escreveram os pequeninos.

Confira abaixo as transmissões ao vivo feitas pela Periferia em Movimento das mesas de debate:

Do imposto de renda ao autocuidado: 07 atividades que propõem ação e reflexão

Entre este sábado e a próxima terça-feira (23 a 26 de março), coletivos e organizações realizam uma série de encontros entre Grajaú e Parelheiros com diferentes propostas, mas que visam a ação e a reflexão de participantes.

Confira a lista que a Periferia em Movimento preparou:

01. Mutirão do Imposto de Renda para mulheres

É época de declarar imposto de renda. Trabalhadores, aposentados e pensionistas que tiveram ganhos mensais iguais ou maiores a R$ 1.903,98 em 2018 precisam fazer a declaração até o dia 30 de abril.

Por isso, o A Bordar Espaço Terapêutico realiza um mutirão para tirar dúvidas sobre a declaração voltado para mulheres. As interessadas devem levar os documentos necessários. Confira a relação neste link.

Quando? Sábado, 23 de março, das 10h às 16h.

Onde? Na Avenida Fernando Amaro Miranda, 73 – Jardim Colonial – próximo ao Sesc Interlagos

Pague quanto puder a partir de R$ 10.

Mais informações aqui.

02. Feira Literamina

A coletiva Sarau das Mina realiza a segunda edição da Feira Literamina, uma feira literária com propósito de dar voz à representatividade feminina por meio da arte e literatura.

Além do lançamento da coletânia do Sarau das Mina, o dia tem apresentações de Maria Mulé Braba (com DJ Carol Aflorada); pocket shows de Maria Fernanda, Luana Bayô, Sanara Santos e Gueto Mommys; oficina de mandalas, performances, rodas de conversa, espaços para crianças e venda de comidas veganas.

Quando? No sábado (23/03), das 12h às 21h

Onde? No Centro Cultural Santo Amaro – Avenida João Dias, 822 – Santo Amaro

Mais informações aqui.

03. Masculinidades em Xeque debate Feminismo Negro

Com objetivo de desconstruir padrões de como ser homem a partir da realidade negra e periférica, o projeto Masculinidade Quebrada realiza mais um diálogo aberto. Dessa vez, Masculinidades em Xeque discute o Feminismo Negro e o que a vivência de um homem se relaciona com isso.

Para falar sobre isso, o bate-papo é com Elânia Francisca, psicóloga especialista em gênero e sexualidade mestra em educação sexual, pesquisadora nas temáticas de gênero, raça e afetividades.

Quando? No sábado (23/03), às 15h

Onde? No Container 011 – Rua Domingos Tarroso, 101 – CEU Vila Rubi

Mais informações aqui.

04. Grajaú debate racismo, genocídio e encarceramento

O Comitê de Resistência do Grajaú convida a Frente Estadual pelo Desencarceramento e a Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio para refletir sobre as formas como o Estado promove o genocídio das populações negra e indígenas no Brasil, recaindo principalmente sobre jovens negros e moradores de periferias, que são as principais vítimas da violência urbana.

Também aborda como os presídios brasileiros se inserem nesse projeto de genocídio, com quase metade da população carcerária sequer ter passado por julgamento.

Quando? No Sábado (23/03), às 14h30

Onde? Rua Louis Daquin, 32 – Parque Brasil – próximo ao terminal Grajaú

Mais informações aqui.

05. Forró na Margem

Às margens da represa Billings, no Parque Linear Cantinho do Céu, moradores realizam o primeiro encontro de forró com disco de vinil do Grajaú. O DJ Marcelo Paes, do coletivo Caixa D’água Posse, comanda o set de músicas.

Evento para curtir com a família: organizadores pedem doações de brinquedos para crianças e sugerem levar canga ou lençol para estender sobre a grana.

Quando? No domingo (24/03), às 15h

Onde? No Parque Linear Cantinho do Céu – Rua Andorinhas Brasileiras – Parque Residencial dos Lagos

Mais informações aqui.

06. Sarau Travas da Sul

A comunidade LGBTQI+ do Grajaú se reorganiza a promove a primeira edição do Sarau Travas da Sul. Além de lançar um manifesto pelas feminilidades, o objetivo é constituir uma rede de apoio e aproximar a população LGBTQI+ por meio das artes e dos rolês.

A programação conta com oficina de zines, intervenções artísticas, apresentações teatrais, drag shows com Tia Franny (em destaque na foto acima) e Izabella Safira, pockets shows de Gê de Lima e Eric Salles, além de discotecagem e teste rápido de HIV.

Quando? No domingo (24/03), às 16h20

Onde? No Calçadão Cultural do Grajaú – Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 – Parque América

07. Diálogos sobre autocuidado

O Coletivo MT que trabalha a terapia por meio de elementos musicais promove mais um diálogo sobre autocuidado. O encontro acontece na Casa das Histórias, que fica no bairro Novo América, e tem por objetivo discutir e descobrir maneiras possíveis de se manter o autocuidado.

Quando? Na terça-feira (26 de março), às 14h

Onde? Na Casa das Histórias – Rua Jane Vanine Capozi, 106 – Novo América – Parelheiros

Mais informações aqui.

Como a Reforma da Previdência afeta quem vive nas periferias?

Eleito com uma encomenda do mercado para entregar a Reforma da Previdência, em fevereiro o governo de Jair Bolsonaro enviou à Câmara dos Deputados a proposta de emenda constitucional (PEC) que muda as regras de aposentadoria no Brasil. E ontem (20 de março), também mandou as mudanças para militares na reserva.

Basicamente, a reforma da Previdência altera a idade mínima de aposentadoria (62 para mulheres e 65 para homens), aumenta o tempo mínimo de contribuição de (15 para 20 anos) e estabelece o recolhimento do INSS por 40 anos para receber o valor total da média salarial do período.

Também altera as regras para o pagamento do BPC (Benefício de Prestação Continuada) a idosos em condições miseráveis. (confira abaixo as principais mudanças).

Para barrar a Reforma, na tarde desta sexta-feira (22 de março) a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Intersindical e as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular fazem uma manifestação na avenida Paulista. Saiba mais aqui.

Mas você sabe como isso te afeta?

Com mais de 12 milhões de desempregados, 16% da economia brasileira circula pelo trabalho informal. Além de desconsiderar essa questão de precariedade no trabalho, a proposta ignora desigualdades entre diferentes regiões do País. Mesmo na cidade de São Paulo, o contraste é grande.

Enquanto um morador do Jardim Paulista (uma das regiões mais ricas da cidade de São Paulo) vive em média 81 anos, a expectativa de vida em Cidade Tiradentes (Extremo Leste) foi de 58 anos em 2017, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

No Extremo Sul de São Paulo, o Grajaú tem a terceira menor média de idade ao morrer: um morador da região vive em média 59 anos. Em Parelheiros, essa média de vida em 2017 foi de 62 anos.

“É o mesmo que você se posicionar que as pessoas vão ter que trabalhar até morrer”, aponta João Seixas, do Comitê de Resistência do Grajaú, que se articula contra a Reforma na periferia de São Paulo. “O Estado quer gastar menos dinheiro com as pessoas”, completa.

Algumas das mudanças propostas na Reforma da Previdência

(Com informações da BBC Brasil)

1. Idade mínima e tempo de contribuição

A Reforma da Previdência de Bolsonaro prevê idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens se aposentarem, com pelo menos 20 anos de contribuição. Hoje, a idade mínima é de 60 e 65 anos, respectivamente, com 15 anos de contribuição.

Além disso, a proposta acaba com a possibilidade de aposentar por tempo de contribuição – hoje, mulheres que recolherem o INSS por 30 anos e homens que recolherem por 35 conseguem se aposentar antes da idade mínima.

2. Regras de transição

Pra quem pretendia se aposentar pelo tempo de contribuição, há três possibilidades: somar a idade ao tempo de contribuição (30 anos para mulheres, 35 para homens). Esse total deve ser de 86 para mulheres e 96 para homens em 2019 e sobe gradativamente até 2033, quando chega a 100 pontos para mulheres e 105 para os homens.

A segunda regra exige o mesmo tempo de contribuição, além de uma idade mínima pré-estabelecida. O piso etário sobe seis meses a cada ano: começa em 56 anos para mulheres e 61 anos para homens e vai até os 65 e 62 anos.

A terceira opção prevista no texto é para quem está a dois anos de cumprir o tempo de contribuição mínimo para a aposentadoria, segundo a regra atual, que é de 30 anos (mulher) e 35 anos (homem). Eles poderão optar pela aposentadoria sem idade mínima, mas será aplicado o fator previdenciário, além de um “pedágio” de 50% do tempo que falta.

3. Como receber o valor integral

Para ganhar 100% da média salarial no período em que contribuiu, o trabalhador terá de recolher o INSS por 40 anos. Para quem contribuiu pelo mínimo de 20 anos, receberá 60% da média dos salários, com um acréscimo de 2 pontos percentuais para cada ano de contribuição além das duas décadas. O valor do benefício não pode ser maior que o salário mínimo nem ficar acima do teto do INSS (R$ 5.839,45). Hoje 66% dos aposentados recebem o valor mínimo.

4. Taxa de contribuição

Hoje, o desconto no holerite dos trabalhadores varia de 8 a 11% do salário. Com a mudança, criam-se alíquotas diferentes para cada faixa salarial, variando de 7,5% para quem recebe até um salário mínimo a 11,68% para quem ganha a partir de R$ 3 mil.

5. Pensão por morte

Para quem recebe pensão por morte, o benefício tanto para trabalhadores da iniciativa privada quanto do serviço público passa a ser de 60% do teto do INSS com mais 10% por dependente adicional.

6. Assistência social para mais pobres

Uma das principais polêmicas da Reforma da Previdência é o corte no BPC (Benefício de Prestação Continuada), que é pago a deficientes e àqueles com mais de 65 anos em situação de miserabilidade – com renda familiar per capita de até R$ 250.

As regras ficam iguais para deficientes, mas mudam para os idosos. Para essas pessoas, o benefício passa a ser “fásico”: o pagamento começa para quem tem a partir de 60 anos, no valor de R$ 400; o valor integral do salário mínimo será pago somente a quem tem mais de 70 anos.

O governo Bolsonaro aposta na manutenção da pobreza para economizar R$ 182,2 bilhões em dez anos – o que representaria 17% da economia prevista com a reforma.

7. Capitalização

Após a aprovação do pacote, quem entrar no mercado de trabalho pode optar também pelo sistema de capitalização, no qual o trabalhador receberá na aposentadoria o que poupar em idade ativa, com garantia de salário mínimo para aqueles que não conseguirem economizar o suficiente. Essa mudança vai ser discutida separadamente da Reforma, com um projeto de lei específico.

8. Gatilho da idade mínima

A partir de janeiro de 2024, a idade mínima para todas as categorias vai aumentar a cada 4 anos. Esse aumento ocorrerá de acordo com a expectativa de sobrevida dos brasileiros a partir dos 65 anos. As idades vão subir 75% do tempo de aumento da expectativa de sobrevida dos brasileiros. Se essa expectativa subir 12 meses, por exemplo, o aumento na idade mínima é de 9 meses.

PerifaCon: evento de cultura pop, geek e quadrinhos movimenta Capão Redondo

Com objetivo de fomentar a cultura pop, nerd e geek nas periferias de São Paulo e romper barreiras, neste domingo (24 de março) acontece a primeira PerifaCon na Fábrica de Cultura do Capão Redondo, zona Sul da capital paulista.

A “Comic Con da favela” tem entrada gratuita, foi idealizada por sete moradores de periferias paulitanas e viabilizada de forma colaborativa, com um financiamento que arrecadou pouco mais de R$ 7 mil. Colocar as periferias em destaque e aproximar o contato com grandes marcas é um dos pontos centrais da festa.

Atrações

Realizadora da CCXP e uma das patrocinadoras do evento na quebrada, a Chiaroscuro Studio traz alguns de seus artistas que hoje trabalham para marcas como Marvel, DC e Dark Horse, para debates, avaliação de portifólios e autógrafos.

O rapper Rashid é outro destaque com lançamento de videoclipe, bate-papo e sessão de autógrafos, além da exposição “Rap em Quadrinhos”, de LOAD & LOUD e da transmissão da série “Impuros” da FOX, com debate com Felipe Ferrari e Zico Goes.

A PerifaCon tem ainda editoras como Draco e Companhia das Letras vendendo seus principais títulos a preços populares; lojas de músicas, roupas e acessórios, como a Boogie Store e 4P; feira de ilustrações e quadrinhos, sala de games, concurso de cosplay, oficinas e outras atrações.

Debates

As mesas de debate misturam temas de arte, política e comunicação, como:

– Produção e Representatividade Negra nos quadrinhos, com a quadrinista Marília Marz, a artista Lya Nazura e o quadrinista Marcelo D’Salete, vencedor do prêmio Eisner, um dos maiores prêmios dos quadrinhos (capa do livro Angola Janga em destaque acima);

– Arte e Resistência, com DJ KL Jay (Racionais MC’s) e Clarice França, do HQ de Menininha;

-Produção Independente e Editorial: Qual rumo seguir?, com Sidney Gusman e Rafael Calça;

– Mulheres no Mundo Nerd, com Adriana Melo, ilustradora da Marvel e artista mundialmente conhecida nos quadrinhos;

– Produção de podcast no Brasil – porque ninguém consegue parar de ouvir, com os podcasts Judão e Mamilos.

Confira a programação completa:

Anotaí!

Quando? Domingo (24 de março), das 10h às 19h

Onde? Na Fábrica de Cultura do Capão Redondo – Rua Bacia de São Francisco – sem número – Zona Sul de São Paulo

Entrada gratuita. Confira no evento.

Mais informações: [email protected]

Primeira Festa Literária do Grajaú celebra caldeirão cultural do Extremo Sul

Entre os dias 19 e 23 de março, uma série de atividades artísticas e culturais movimenta os cinco CEUs (Centros Educacionais Unificados) da região Extremo Sul de São Paulo, além do Centro Cultural Grajaú.

Nesse período, acontece a primeira Festa Literária do Grajaú (FLIG), promovida pelas equipes desses espaços, das bibliotecas, saraus e agentes culturais da quebrada. Clique aqui e saiba mais.

Assim foi a primeira edição do Sarau da Cultura Grajauense. Foto: Reprodução.

Programação diversificada

Com mesas de debate, rodas de conversa com escritores, oficinas, exposições e contação de histórias, o evento chega ao último dia com shows de artistas locais e convidados, como Luiz Semblantes, Nayra Lays, Yara Barros e Sambadas, por exemplo.

Nessa primeira edição, a homenageada é Adélia Prates. Moradora do Grajaú há mais de 40 anos, Adélia articulou e participou de mobilizações por direitos na região – do pão às escolas –, e foi uma das fundadoras e primeira presidenta da Associação de Mulheres do Grajaú. Ela também é personagem do primeiro episódio da série de reportagens “Matriarcas”, da Periferia em Movimento.

Para custear transporte e alimentação, os organizadores fazem uma vaquinha pela internet para arrecadar R$ 5 mil. Contribua aqui.

Confira a programação completa

Na terça-feira (19/03)

Onde: No CEU Navegantes – Rua Maria Moassab Babour, sem número – Cantinho do Céu – Grajaú

11h às 12h30 – Contação de histórias: Histórias do baú, com Roberto Barros

15h às 15h45 – Encontro com autor: Livro A horta do Vovô Manduca, com Débora Rubin

16h às 17h30 – Mesa de debate: Saraus como ação de fomento à literatura periférica, com Casulo (Sarau Clamarte), Edilene Santos (Sarau do Grajaú) e Joziane Soares (Sarauê). Mediação de Ronaldo Mota Vieira

19h – Show de abertura: Verso Acústico

19h30 – Abertura oficial e leitura poética em homenagem a Adélia Prates

20h – Show com Denise Alves

Na quarta-feira (20/03)

Onde? No CEU Vila Rubi – Rua Domingos Tarroso, 101 – Vila Rubi

09h – Encontro das turmas de 8º e 9º anos do Ensino Fundamental com a autora Michele Santos

11h – Papinho das turmas da EMEI com a autora Lucimeire Juventino

14h às 15h30 – Mesa de debate: A literatura negra, identidades em diálogo, com os escritores Akins Kintê, Elizandra Souza, Elânia Francisca e Tula Pilar. Mediação de Gabriel Messias

15h30 – Oficinas de biblioterapia (com Flavia Hessel e Sônia Oliveira) e amarração em turbantes (com Lucimeire Juventino)

Onde? No CEU Parelheiros – Rua José Pedro de Borba, 20

14h – Contação de histórias: Histórias do baú, com Roberto Barros

18h30 – Sarau “Mais amor, por favor”, com alunos da ETEC e Comunidade em geral

Onde? No Centro Cultural Grajaú – Rua Professor Oscar Barreto Filho – Parque América

19h30 – Sarau Sobrenome Liberdade e Sarau do Grajaú

(Foto: Divulgação/ Sarau do Grajaú)
Edilene Santos, uma das organizadoras do Sarau do Grajaú

Na quinta-feira (21/03)

Onde? No CEU Cidade Dutra – Avenida Interlagos, 7350

08h às 17h – Exposição fotográfica “Essas Mulheres Maravilhosas”, de Nalva Maria; e exposição “Uma questão de gênero”

08h30 – A curandeira em pele de foca, com Tininha Calazans

09h30 ao meio-dia– Sarau da Pessoa, com a mestre de cerimônias Cintia Mendes e participação dos autores Victhor Fabiano (Bom dia, Ditador), Audrey Ribeiro (Adélia Prates), Celso de Campos Jr. (100 Sena), Joeli Monteiro, coral do Projeto Guri e microfone aberto

14h às 15h30 – Mesa de debate: Mulher, brasileira, periférica: formas de (r) existir, com Cris Moreira e Kamila Moreno (Coletivo Nísia Floresta), Jéssica Angelin (Coletivo Sarau das Mina) e Barbara Esmenia. Mediação de Renata Gibelli

15h30 às 17h – Oficina: Mulheres empoderadas escrevem melhor (homens podem participar), com Bruna Escaleira e Mariana Brecht

17h às 18h30 – Sarau Quinta em Movimento

Onde? No CEU Parelheiros – Rua José Pedro de Borba, 20

10h – Sarau “Mais amor, por favor”

Na sexta-feira (22/03)

Onde? No CEU Três Lagos – Rua Maria Moura da Conceição – Jardim Belcito

09h às 10h40 – Mesa de debate: A arte como terapia, com Geruza Zelnys, Danilo Pereira Leite (CAPS Saúde), Sônia Oliveira e Daniel da Conceição Santana (Coletivo MT). Mediação de Fábio Roberto Lucas (do CAPS Artes)

11h – Oficinas de escrita curativa (com Geruza Zelnys e Eduardo Guimarães), biblioterapia (com Sônia Oliveira e Flávia Hessel) e musicoterapia (com Coletivo MT), e vivência em teatro (com Danilo Pereira Leite)

14h – Encontro com o autor, com Jéssica Câmara Siqueira

19h – Sarau Clamarte e Sarau das Águas

Coletivo MT de musicoterapia marca presença com oficina na FLIG (foto: divulgação)

No sábado (23/03)

Onde? No CEU Vila Rubi – Rua Domingos Tarroso, 101

Shows de encerramento

11h – Dom Orione

11h55 – Zé Marcio

12h30 – Dan Silva

13h15 – Xemalami

13h55 – Yara Barros e Domingos Jr.

14h35 – Nayra Lays

15h15 – Peça de teatro: “Davis: a voz da Liberdade” com Grupo Artemanha

16h10 – Line Juliano

16h50 – Mano Moneys

17h30 – Luiz Semblantes

18h10 – Sambadas

Xemalami participa do encerramento da FLIG (Foto: Thiago Borges / Periferia em Movimento)

#Matriarcas: Mulheres que cavaram os alicerces para a luta nas quebradas

Adélia Prates é uma mulher que, mesmo diante de todas as injustiças, encontra forças para lutar.

E essa liderança histórica do Grajaú, no Extremo Sul de São Paulo, é a primeira entrevistada de “Matriarcas”.

Idealizada pela escritora e professora da região Lucimeire Juventino e realizada pela Periferia em Movimento, nessa série de reportagens contamos histórias de mulheres que cavaram os alicerces de lutas por direitos que continuam fortes até os dias de hoje.

Confira abaixo a entrevista com Adélia:

Nascida no interior de São Paulo e com parte da infância vivida na Bahia, ela trabalha desde os 07 anos de idade. Sofreu com o racismo, o machismo e a pobreza desde cedo. Considerada “endemoniada” na época, hoje ela entende que o adjetivo foi dado porque nunca se conformou com a situação em que vivia.

Aprendeu a ler e escrever com mais de 20 anos de idade, já vivendo em São Paulo. Aqui, após se casar oficialmente, se mudou com o marido para um terreno no Grajaú.

Anos 1970, periferia de São Paulo, tudo mato! Sem luz, água, asfalto e até o pão francês de qualidade, Adélia se juntou a outras mulheres para lutar pelos mesmos direitos de quem vivia na região central – isso, em plena ditadura militar. Quando viu que o poder estava com as mulheres, não teve dúvidas: “A gente tinha que mudar as coisas, nem que fosse só no Grajaú”, conta.

Fechou ruas contra atropelamento de crianças, ocupou escola por melhores condições de ensino, travou açougues contra o preço absurdo da carne! Mobilizou a mulherada para fazer mutirão por moradia, urbanizar favelas e falar do direito ao próprio corpo. Se articulou com o poder público para construir políticas públicas.

Ato do Dia da Mulher no Grajaú, em 2016, com a Associação de Mulheres do Grajaú. Foto: Adriano Mendes

Uma das fundadoras e primeira presidenta da Associação de Mulheres do Grajaú, aberta oficialmente em 1982, Adélia sofreu um baque no ano seguinte com o feminicídio de sua irmã Delvita pelo então companheiro. Delvita deixou um filho de cinco anos e estava grávida de quatro meses quando foi assassinada.

Adélia apontou a responsabilidade das autoridades diante do então secretário da Segurança Pública, Michel Temer, acompanhou as investigações até a captura do criminoso – que ficou apenas 04 meses preso – e não esmoreceu mesmo diante da soltura.

Para Adélia, é necessário que as mulheres se mobilizem para que direitos conquistados não sejam retirados.

Jardim da União: a instabilidade é a única certeza

A instabilidade é permanente para as quase 600 famílias que vivem no Jardim da União, uma ocupação por moradia localizada nas proximidades do Terminal Varginha, Extremo Sul de São Paulo.

E o ano de 2019, que parecia ser diferente, começa com mais uma incerteza, já que a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) reivindica a reintegração de posse do terreno.

A Periferia em Movimento conversou com moradoras do Jardim da União sobre essa situação.

Confira no vídeo:

Histórico de resistência

Com aluguel caro, salários baixos ou o desemprego como realidade, logo após as jornadas de junho de 2013 mais de 20 terrenos foram ocupados na região do Grajaú. Nem todas as ocupações se fixaram, mas um terreno público no Jardim Itajaí resistiu a seis despejos realizados pela Prefeitura de São Paulo.

De lá, os moradores se mudaram para uma outra área vazia pertencente à CDHU. Em nota, a empresa diz que estava previsto o início de obras de empreendimento para atender 517 famílias por meio do Programa Mananciais, da Prefeitura. Mas os ocupantes alegam que não havia projeto para o terreno e, por isso, ocuparam.

Após diversos atos e reuniões com a direção da estatal, em 2016 foi formalizado um acordo judicial para arquivar o processo e aquisição de uma área para as famílias ocupantes que seriam representadas pela Associação de Mulheres do Grajaú por meio do Minha Casa Minha Vida Entidades.

Mas na sequência, novos investimentos na modalidade foram congeladas pelo governo federal, e os moradores do Jardim da União ficaram novamente na mão.

Segundo representantes da ocupação, que iniciaram um planejamento urbano para a área ocupada depois disso, a CDHU não formalizou mas deu carta branca para continuar o projeto – que prevê ruas com calçamento padrão, praças, área verde e espaço para equipamentos públicos como escola e posto de saúde.

Aos poucos, casas de madeira dão lugar às de alvenaria, mas logo depois das eleições de outubro o Jardim da União foi surpreendido novamente com a reabertura do processo judicial pela CDHU.

No dia 20 de fevereiro, moradores fizeram um ato em frente a sede da empresa. Um grupo foi recebido e pediu um prazo de 180 dias para buscar saídas de forma amigável. O Núcleo de Habitação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo acompanha a negociação.

Enquanto isso, a única certeza das famílias do Jardim da União é a instabilidade.

Confira abaixo a nota enviada pela assessoria de imprensa da CDHU à Periferia em Movimento:

“Em relação à ocupação em terreno de sua propriedade e posse no Jardim da União, entorno do Grajaú, região Metropolitana de São Paulo, a CDHU tem a informar que:

O terreno, invadido a partir de outubro de 2013 por cerca de 400 famílias, foi adquirido pela CDHU através de ação de desapropriação, em 2009. A área tem por objeto a construção do conjunto habitacional Grajaú B, com 517 unidades habitacionais de interesse social, destinadas a famílias cadastradas no Programa Mananciais. Parceria entre a Secretaria de Estado da Habitação e a Prefeitura de São Paulo, o Mananciais prevê a destinação de moradias para famílias em situação de vulnerabilidade e risco egressas de áreas de preservação ambiental de mananciais. Nesse caso, a demanda para o empreendimento a ser construído na área era determinada pela prefeitura, formada por famílias egressas de comunidades às margens da represa Guarapiranga e acolhidas pelo PRIS – Projeto de Recuperação de Interesse Social, no âmbito do programa Mananciais.

A CDHU aguardava justamente a expedição do Alvará de Execução para iniciar regularmente as obras do empreendimento quando o terreno foi invadido por aproximadamente 400 famílias. (Atualmente, o número de famílias moradoras da área cresceu, chegando a 560). Em razão disto, o início das obras foi então suspenso.

Decorridos quase três anos da data da invasão, em junho de 2016, foi formalizado um acordo judicial, onde ocupantes seriam atendidos através da Associação de Mulheres do Grajaú, entidade essa cadastrada no Ministérios das Cidades. A proposta era a aquisição de uma área próxima para desenvolvimento de projeto habitacional através do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades, do Governo Federal. Em contrapartida, os ocupantes assumiram compromisso de desocuparem a área da CDHU voluntariamente.

Entretanto, a Associação Mulheres de Grajaú não conseguiu a aquisição do terreno e também, em razão da situação econômica, o Programa Minha Casa Minha Vida Entidades se esvaziou. Com isso, o acordo não foi cumprido.

Em novembro de 2018, a CDHU solicitou à Justiça a retomada do processo de reintegração de posse da área, para que possa executar o empreendimento habitacional e dar atendimento às famílias destinatárias, inscritas no Projeto Mananciais, que aguardam há mais de cinco anos pelo início das obras de suas moradias. O empreendimento Grajaú B tem seu projeto urbanístico devidamente aprovado junto aos órgãos competentes, inclusive Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo para novas urbanizações.

Importante destacar ainda que, conforme orientação da Prefeitura e da Cetesb em reunião recente no Setor de Mediação da Sehab municipal, as famílias ocupantes da área não conseguiriam, em hipótese alguma, efetuar a compra do terreno onde residem e tampouco poderiam dar a ele a destinação que pretendem, de urbanização regular da ocupação.

Isso porque o terreno está em área de preservação ambiental, previamente comprometida. Em áreas de mananciais ocupadas irregularmente após 2009, há a proibição explícita da Cetesb em relação a projetos de urbanização ou regularização imobiliária. Já o projeto da CDHU, do empreendimento Grajaú B, em contraponto, está totalmente regularizado e autorizado, por estar no âmbito do PRIS – Projeto de Recuperação de Interesse Social do programa Mananciais.

Em reunião realizada há alguns dias, assim como em manifestação à frente da sede da CDHU na quarta-feira (20/2), as famílias da ocupação alegam necessitarem de maior prazo para tentarem viabilizar um projeto de urbanização da área. Entretanto, a CDHU não recebeu tal solicitação formalmente”.

Aeroporto de Parelheiros pra quem?

Travada desde 2014 por contrariar o Plano Diretor Estratégico, após uma decisão judicial favorável publicada no início deste ano a proposta de construção de um Aeroporto de Parelheiros para jatinhos executivos obteve a certidão de uso e ocupação do solo da Prefeitura de São Paulo.

A falta dessa certidão era o único impedimento para buscar o licenciamento ambiental para a obra. Agora, os empresários buscam essa licença junto ao Governo do Estado. Por se tratar de empreendimento em área de proteção aos mananciais, cabe ao Estado licenciar, pois se trata de interesse metropolitano.

(ERRATA: no vídeo, informamos erroneamente que a licença ambiental foi emitida pela Prefeitura. Portanto, atualizamos o texto deste post e em nosso site).

E você sabe como essa empreitada pode afetar o abastecimento de água na região metropolitana e a produção de alimentos por agricultores do Extremo Sul?

Neste vídeo, a Periferia em Movimento aborda o assunto com o gestor ambiental Vinicius de Souza Almeida e com Seu Toninho, que trabalha em roças de orgânicos ao lado do terreno onde aviões podem pousar se o projeto for aprovado.

Confira:

Um ano sem Marielle

Nesta quinta-feira (14 de março), completa-se um ano do assassinato de Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL no Rio de Janeiro. E em busca de justiça para o caso, atos acontecem em todo o País. Em São Paulo, diferentes movimentos sociais e correntes partidárias convocam um ato por Justiça e pelas vidas negras e periféricas. A partir das 17h, com concentração entre a avenida Paulista e a praça Oswaldo Cruz. Veja aqui. No Jardim Ângela, periferia da Zona Sul da capital paulista, o ato “Marielle Vive, Nós Também!” denuncia a violência contra as mulheres a partir das 18h na principal praça do bairro. Saiba aqui. O ato é organizado pelo Fórum em Defesa da Vida e as coordenações dos Centros de Defesa e Cidadania da Mulher Casa Sofia e Mulheres Vivas.

Sem respostas

Na noite de 14 de março de 2018, Marielle voltava de um debate com mulheres negras na companhia de uma assessora do motorista Anderson Gomes, que também foi morto por disparos feitos contra o carro em que se encontravam. Apesar das investigações continuarem e de indícios de envolvimento de políticos e milicianos no caso, a Polícia do Rio de Janeiro ainda não deu respostas sobre quem matou Marielle e Anderson.

Periferias convocam secretário municipal de Cultura para audiência pública


Nesta terça-feira (12/03), às 19h, o Movimento Cultural das Periferias (MCP) realiza a Audiência Pública Cidadã da Cultura com a presença de Alexandre Yousseff, secretário municipal responsável pela temática na Prefeitura paulistana. Após uma gestão turbulenta desde 2017, quando André Sturm ocupou a pasta e entrou em conflito com agentes culturais, no início deste ano Youssef assumiu a secretaria municipal da Cultura. O novo titular da pasta confirmou presença em reunião com uma comissão de sete mulheres do MCP, conforme a Periferia em Movimento informou no dia 15 de fevereiro. Confira o vídeo abaixo:
Segundo o movimento que reúne 400 coletividades culturais das margens da cidade e defende a descentralização dos recursos públicos, o objetivo é apresentar um panorama do cenário e das políticas públicas culturais para as periferias de São Paulo, incluindo pautas mais emergentes de cada linguagem e circuitos artísticos alinhadas ao histórico e a implementação do Plano Municipal de Cultura aprovado em 2016. O encontro acontece na Cia Pessoal do Faroeste, que fica na rua do Triunfo, 301 – próximo à estação da Luz, Centro de São Paulo. Saiba mais aqui

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