Na crise da pandemia, cozinha solidária alimenta famílias em quebrada de SP

Colaboração de Nathália Ract (fotos e reportagem)

Todas as quartas e sábados, tem almoço comunitário no número 3 da viela 1 na travessa Igarapé Progresso, que fica no Jardim Filhos da Terra, distrito de Tremembé (periferia da zona Norte de São Paulo). O rango atende em média de 120 a 150 pessoas por mês. A iniciativa é do Autonomia ZN, um coletivo que atua por meio da permacultura, da economia solidária e da educação popular, e começou em 2019. Com a pandemia e os cortes no auxílio emergencial, o aumento do desemprego e do preço da comida, a ação se intensificou para amenizar a insegurança alimentar que afeta famílias na quebrada.

A Periferia em Movimento acompanhou um dia de preparo. Para organizar o almoço do último 24 de julho, Thais Rodrigues, 36 anos, começou a cozinhar às 5h da manhã daquele sábado.

O cardápio do dia tinha feijão com beterraba e arroz com legumes, pimentão, cenoura e açafrão em pó, refogado de vegetais com batata, abobrinha, cenoura, hambúrgueres, purê de mandioquinha e salada com acelga, cebola e beterraba, além de 2 garrafas de 1,5 litro de suco de abacaxi. No dia anterior, ela também madrugou para descascar os vegetais adquiridos na feira. 

Thaís, cozinheira do projeto (foto: Nathalia Ract)

“Eu gosto de colorir os pratos”, conta Thais (em destaque na foto de capa), atualmente cozinheira do projeto. Mãe solo de 6 crianças, ela vive com a família em um quarto e cozinha. Como a sede do projeto ainda não tem fogão nem outros eletrodomésticos, ela utiliza a própria cozinha pra fazer os almoços. “Falta espaço, é uma casa pequena”, diz ela, que entrou para o projeto para lidar com a dor da morte de um filho.

“Cuidar da família é uma coisa normal. A gente cuida todos os dias, estando em luto ou não. Cozinhar também é a mesma coisa”, diz. Segundo ela, além de ajudar no luto, o projeto não deixa ela parada em momento nenhum. 

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O projeto é realizado exclusivamente com doações e campanhas de apoio. Para ajudar, é possível doar via PIX para o CPF 339.094.378-18, em nome de Fernanda Suemy Y. Takemoto. Saiba mais aqui.

O Autonomia ZN articula, sobretudo, as mulheres desempregadas e trabalhadoras autônomas, que recebem uma diária a cada preparação de almoço. São mães que estão precisando de auxílio emergencial e serviços médicos gratuitos de qualidade. A maioria das pessoas que participa do projeto, incluindo as cozinheiras, se encontra nos dias de feira para realizar a xepa de alimentos.

Uma dessas mulheres é Jhenifer Oliveira Silva, 32, que paga R$ 650 em uma casa de aluguel na mesma região e é mãe solo de 6 crianças, sendo que um filho de 11 anos recebe acompanhamento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Foi pelo equipamento de saúde, inclusive, que ela soube do projeto. “Eu estou precisando? Você vai e me ajuda. Você está precisando? Eu vou lá e ajudo. E assim vai…”, explica Jhenifer, sobre a rede de apoio.

“Os almoços vêm da xepa, né? A gente vai nas feiras e não leva nem R$ 1 no bolso. A gente panfleta, fala sobre o projeto e mostra também no celular o instagram, o facebook o pessoal ajuda a gente com as doações de legumes, frutas, verduras, e com tudo que é doado é feito o almoço”, observam Thais e Jhenifer. 

Fortalecimento

A sede da cozinha comunitária está sendo construída em um espaço alugado, que ainda precisa ser reformado para executar todas as atividades previstas. 

“Tanto eu quanto as outras meninas cozinha em casa e traz pra cá. Só que agora, tendo o fogão, tendo o forno, tendo tudo dentro do próprio projeto, é mais fácil pra gente cozinhar”, afirma Thais, depois de carregar o almoço pela comunidade até a sede do projeto com a ajuda da sua família e vizinhos. 

Para além oferecer uma refeição saudável e adequada para as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social, o Autonomia ZN desenvolve diversas atividades de educação alimentar. Atualmente o projeto conta com a colaboração da nutricionista Cris Maymone e do curso sobre “Boas práticas na manipulação de alimentos”. A “Creative Commes” realizou o curso “Xepa, Triagem e Reaproveitamento de Alimentos” com as produtoras e a nutricionista Marcela Fraga trouxe “Receitas com plantas alimentícias não convencionais (PANCS)”. 

O projeto também está oferecendo aulas abertas para a comunidade de Yoga com a professora Maria de Fatima Caldelas e aulas de capoeira para as crianças com o Mestre Jeferson Camillo, o que proporciona o fortalecimento da ação coletiva entre crianças, jovens e adultes. 

Organização do coletivo Autonomia ZN (foto: Nathalia Ract)

“Tem gente com fome!” O povo organizado dá de comer

O que está acontecendo na periferia é muito sério. Nós estamos vivendo em um País em que a fome se estabeleceu na barriga de 19 milhões de brasileiros, segundo o recente estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). 

A cada dia são maiores as dificuldades e o acesso aos direitos básicos com o aumento do preço dos alimentos consumidos pelas famílias de trabalhadores. No mercado, vemos a substituição dos alimentos por outros, que são mais baratos, porém menos nutritivos, e nas prateleiras encontramos fragmentos de arroz e feijão. 

“Aqui, se vive uma crise de segurança alimentar. Com a cozinha comunitária e as oficinas que vêm acontecendo, o tema da alimentação saudável é pauta a todo momento. Com as oficinas, todo mundo do coletivo vem aprendendo o que é e a importância de uma alimentação saudável, e assim as mulheres vão experimentando fazer novos pratos e compartilhando receitas”, explica o coletivo Autonomia ZN, que faz parte do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (COMUSAN/SP).

(foto: Nathalia Ract)

Neste cenário muitas famílias têm consciência da privação dos seus direitos básicos, e os projetos das cozinhas comunitárias surgem como um movimento popular de solidariedade entre população e algumas entidades religiosas para amenizar os efeitos da pandemia de covid-19. Afinal, como ficar esperando apoio institucional para solucionar essa situação, sendo que o governo não garante alimentação gratuita e as ajudas estatais chegam por vezes muito tarde?

As cozinhas comunitárias são uma possibilidade de assegurar um prato de comida nutritivo em suas jornadas. No centro de São Paulo, por exemplo, durante o contexto da pandemia de covid-19, o Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) distribui diariamente marmitas para a população em situação de rua e muitas outras pessoas que estão entrando na fila da fome. 

Projetos como esses vêm garantindo comidas diárias para pessoas que precisam sobreviver e precisam de ajuda – isso significa doações, comida e tempo para realizar as entregas e servir a comunidade. 

Clique aqui para conhecer outras iniciativas que amenizam o impacto da pandemia nas periferias.


Em memória de Cristina Bautista, abraçaremos a terra para com ela nos libertarmos

Por Vilma Almendra – pueblosencamino.org

Nota de edição – colombianas Nathália Hernandez e Adriana Villareal (Revista Amazonas), Tradução – brasileira Helena Silvestre (Revista Amazonas)
Revisão da tradução – nicaraguense Amanda Martinez (Revista Amazonas)

​​Nossos povos continuam sendo negados e silenciados. Se reitera, mais uma vez, a disputa patriarcal contra nossas autonomías. Somos produto de um sistema patriarcal, colonial, estatal, racista que se manifesta desde as instituições estabelecidas até nossos fazeres comunitários. Nessa trama, somos violentadas nas nossas casas e também dentro de nossas lutas. Em memória de Cristina Bautista Taquinás e de todos nossos mortos, repito a afirmação urgente de reciprocidade entre palavra e ação: “A mulher é fundamental e a cosmovisão reivindica isso, falta apenas que se cumpra”.

As lutas de Cristina

No dia 29 de outubro de 2019, a companheira Cristina Bautista Taquinás foi assassinada em um massacre que matou também Asdrúbal Cayapu, Eliodoro Finscue, José Gerardo Soto e James Wilfredo Soto. Ela exercia o papel de autoridade tradicional de preservação indígena em Tacueeyó e os outros atuavam como guardas indígenas. Estavam comprometidos com o cuidado do território e com a defesa da organização coletiva frente a desapropriação.

Enquanto exerciam suas tarefas comunitárias, foram emboscados por agentes paramilitares armados, que disputam o controle de territórios com forças do narcotráfico e que têm assassinado a toda pessoa que se negue a compactuar com as máfias e que exija liberdade para seu povo. Depois de um ano de massacre tudo era ainda “matéria de investigação”, não havia clareza sobre os fatos ocorridos, não havia captura dos assassinos e nem dos mandantes do crime e a família Bautista Taquinás nem sequer havia recebido os resultados da autópsia.

A vida de Cristina, como mulher de uma família e de uma comunidade empobrecida, foi uma vida de luta. Desde muito menina, aprendeu a cuidar de suas irmãs e a “buscar o pão de cada dia”. Na escola, lhe pediram uma vez meio quilo de arroz e, como não tinha, deixou de estudar. Com 12 anos, saiu de sua casa e tornou-se empregada doméstica na cidade. Foi maltratada pelas patroas e um patrão tentou estuprá-la. Graças a ajuda de uma amiga, conseguiu trabalho na casa de uma senhora que a ajudou a voltar aos estudos. Enfrentou muitos desafios e perigos mas conseguiu se formar como Assistente Social.

Nesse caminho, soube que o município de Toribío (na região do Cauca) ocupava um dos primeiros lugares em violência contra a mulher na Colômbia e então decidiu voltar à sua região. Inicialmente sua palavra e suas ações foram ignoradas. Por ser mulher, jovem e cristã, Cristina foi rechaçada por lideranças machistas.

Ainda assim, Cristina Bautista Taquinás continuou sua missão de vida, visitando, escutando e trocando experiências com mulheres (reativou o Movimento da Mulher Nasa Costurando Pensamento). Também, como trabalhadora municipal da Atenção a Vítimas de Toribío e mesmo por fora da instituição, ela se aproximou cada vez mais da comunidade. Não impôs suas crenças cristãs e sim, sentiu com o coração as violências contra as mulheres, jovens e crianças. Suas contribuições foram excepcionais como voluntária, inclusive no processo da Constituinte Nasa, onde inicialmente havia sido rechaçada porque não tinha aval de ninguém e não estava em nenhum dos grupos seletos. Mas com perseverança e humildade continuou participando, levando até mesmo a própria comida para estar aí. Ela passou de excluída e negada ao lugar de porta-voz e redatora dessa iniciativa. Foi nesse contexto que começou a ser cogitada como possível candidata a autoridade tradicional de seu território.

Assassinada em 2019, Cristina era autoridade tradicional de preservação indígena em Tacueeyó e estava comprometida com o cuidado do território e com a defesa da organização coletiva

O patriarcado que nos habita

Diante da possibilidade de que Cristina fosse eleita, chegaram a dizer: “se ganha a de saia, se acaba o movimiento”. Mas a comunidade elegeu a ela, que ficou entre as 6 autoridades tradicionais de Tacueyó, com altíssima votação. Em seu curto tempo como autoridade, fez um trabalho exemplar e incomparável. Dizia: “Todos somos guardiões, mas todos em ação”, por isso não era estranho vê-la fazendo guarda ou servindo o café que preparava. Sem dúvida, aplicou um dos princípios zapatistas que são um desafio: “servir e não servir-se”. Tampouco estranhava que alguns homens e mulheres autoritários a desrespeitassem, a silenciassem e até mesmo fizessem chacota de seus discursos.

Dolorosamente, o patriarcado é mais visível e denunciável frente ao poder externo que exercem contra nossos povos e territórios para mercantilizar bens comuns e acumular riqueza; mas esse mesmo poder e patriarcado é menos visível e somos mais condescendentes quando é exercido internamente. Por exemplo: quando denunciamos violências de nossos companheiros e somos re-vitimizadas sem conseguir justiça. Quando nos garantem um cargo condicionado ao silêncio, obediência e reprodução de práticas autoritárias que vão contra a coletividade. Quando somos marcadas e excluídas por fazer críticas em busca de transformações comunitárias. Quando nos estigmatizam como peças soltas, porque não nos encaixamos na carruagem desenvolvimentista-progressista-institucionalizada que nos amarra à fragmentação e nega nossa dignidade.

Mas nós, mulheres, também violentamos: quando obedecemos a projetos que só cumprem as próprias agendas. Quando reduzimos as violências machistas e não as enxergamos na relação estrutural com o estado, com o extrativismo e com o racismo. Quando capturamos as lutas das mulheres e as submetemos ao cárcere dos conceitos. Quando em nome de nossa libertação como mulheres nos inserimos nas políticas do norte, apresentando-as como políticas de vida. Quando nos apropriamos das lutas territoriais para disputar migalhas governamentais. Quando nos convertemos no macho do lar e submetemos a nosso companheiro por ser homem. Somos produto deste sistema a que resistimos.

Autonomías para florescer

O patriarcado, o colonialismo, o capitalismo, o racismo… eles causam erosão e distorcem a vida comunitária. Para persistir, temos de saber se estamos reproduzindo estas formas de dominação, ou se pelo contrário, estamos buscando resistências autónomas emancipadoras.

Nossa existência depende da capacidade crítica que tenhamos para reconhecer as formas de dominação cotidianas do machismo herdado da igreja e da escola, ao mesmo tempo, as estruturas que as propiciam e atravessam em todos os âmbitos. Já deveríamos assumir que as lutas contra o racismo, o classismo e o sexismo são inseparáveis entre si e do patriarcado, do estado e do capitalismo: “não se pode destruir o capitalismo sem destruir o Estado, não se pode destruir o Estado sem destruir o patriarcado”, como dizem as kurdas. 

Como decorrência, se queremos persistir como povos, temos de re-pensar, re-criar, re-tomar, re-existir com autonomia. “Quando a autonomia avança, o Estado retrocede”. Como ser coerentes e consequentes quando nossos movimentos seguem enfeitiçados com o Estado, com o poder e pretendem mudar o mundo desde o palácio principal? Esta contradição deveria envergonhar-nos diante do cuidado com as sementes, com a terra, água, fogo, ar, marchas, “mingas y trueques”*, e também assembleias, congressos, e mobilizações. Cristina Bautista representa e expressa o voo sagrado à partir das mulheres, de nosso povo e território frente ao desafio de constituirmos um tecido com nossa Mãe Terra. Umbiga-nos com a terra para libertá- la e não obrigá-la a converter-se em mercadoria para acumulação.

*A minga é uma ação coletiva para atingir um objetivo comum e trueque é a troca sem a mediação de dinheiro e fora da lógica capitalista.

Texto originalmente publicado em espanhol em www.pueblosencamino.org

Vilma Almendra Quiguanas, autora deste sentido perfil, junto com sua pequena filha, Violeta Kiwe Rozental, escreveram e ilustraram livro para crianças “Cristina Bautista: Vôo que sangra desta terra” , onde narram a história e o assassinato da defensora da vida e do territorio do povo Nasa, na Colômbia, Cristina Bautista. O desejo de Vilma, Violeta e de toda a comunidade é que este livro seja amplamente distribuído para que as crianças de toda Abya Yala conheçam e preservem o legado de Cristina. O livro está disponível em português neste link: https://pueblosencamino.org/wp-content/uploads/2021/03/cristina-portugues1.pdf

Este conteúdo faz parte do Especial Mulheres Negras Latino Americanas e Caribenhas, realizado pela Periferia em Movimento em parceria com a Revista Amazonas. Nas próximas semanas, traremos juntes novas histórias de mulheres que são referências em seus territórios.

ONG promove cursos para geração de renda com bicicleta

Com informações da assessoria de imprensa. Foto em destaque: Eduardo / arquivo pessoal

A quantidade de pessoas trabalhando com entregas na capital paulista aumentou em 20% desde que a pandemia começou e, na segunda onda que iniciou em fevereiro, atingiu 35% de aumento, segundo o Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas Intermunicipal do Estado de São Paulo. Os serviços de entrega, inclusive por bicicleta, tornaram-se alternativa para geração de renda em uma situação em que o coronavírus provocou efeitos sanitários, econômicos e culturais.

Neste cenário, organizações não governamentais (ONGs) desempenham papel importante em ambientes em que o governo não chega. É o caso do Instituto Aromeiazero, que utiliza a bicicleta por meio de projetos sociais para reduzir as desigualdades sociais e tem realizado projetos como Viver de Bike e a campanha Delivery Justo.

Em 2020, o instituto fez uma versão on-line do curso Viver de Bike (é possível assistir aqui) e lançou um caderno com 60 páginas voltado a quem quer empreender ou trabalhar com bicicleta. Os conteúdos do Delivery Justo também estão disponibilizados na plataforma.

Um de beneficiades foi Eduardo Cristian de Jesus Santos, jovem de 28 anos nascido em Diadema (SP), que trabalha como entregador fixo de um restaurante, mas nas horas livres faz entrega por aplicativo. Edu não parou de trabalhar, pelo contrário. Seu corre aumentou. Pela internet, conheceu a campanha Delivery Justo online.

“Além da parte mecânica, onde eu pude aprender através de vídeos a consertar minha bicicleta, as consultorias de logística fizeram muita diferença. Hoje em dia não uso mais GPS, tenho o mapa de São Paulo todo em minha cabeça. Consigo fazer minhas entregas de forma rápida e educada”, declara Edu.

Já Joaquim de Souza, 23 anos, nascido no Cambuci (centro de São Paulo) diz que conheceu o curso de mecânica de bike através de amigues do Coletivo Senoritas Courier, do qual faz parte. “Consegui me organizar financeiramente. Eu estava sempre correndo para pagar contas e hoje já consigo ter um dinheirinho sobrando”, completa.

Joaquim de Souza (foto: Aline Os)

“A língua portuguesa invadiu nosso corpo-território”

Foto em destaque: Lyryca Cunha / arquivo pessoal

Você é racista? Se essa pergunta mexe com você, que tal falarmos mais sobre o que significa ser racista no nosso dia a dia, nos detalhes, nas palavras, expressões, comportamentos e discursos que adotamos?

Para Lyrica Cunha, a própria língua portuguesa em perpetua o racismo, uma vez que é a linguagem do colonizador do imenso território indígena que é o Brasil. “A língua portuguesa invadiu nosso corpo-território, invadiu nosso espaço, a nossa mente”, aponta ela, que é indígena em retomada, multiartivista, psicóloga e idealizadora do projeto O Não Lugar – Retomadas Indígenas.

Esse foi o mote da segunda conversa da série “Linguagens Opressoras”, realizada pela Periferia em Movimento em 1º de julho, que teve a participação de Lyrica e de Salloma Salomão, compositor, educador, ator, dramaturgo e pesquisador.

Ouça um resumo no podcast publicado em nosso canal no Spotify, no Anchor ou clicando abaixo:

Salloma lembra que essa linguagem se expressa não apenas pelo verbo, mas também pelas ações: “A mensagem que as forças de segurança estão dando através do gesto e do corpo é: ‘se eu quiser eu te mato a qualquer momento’. E essa é uma linguagem – linguagem corporal – que tem haver com humilhação social, subalternização, e só entende essa linguagem quem foi educado por ela”.

“Linguagens Opressoras” faz parte da proposta de encontros abertos e periódicos de Comunicação com Cuidado, que têm o objetivo de promover processos saudáveis na produção comunicacional e jornalística nas periferias e de fortalecer quem está nessa área nas quebradas. Os encontros são realizados pela Periferia em Movimento e o Programa de Fomento à Cultura da Periferia da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Confira a conversa na íntegra:

Organização, apresentação e produção: Aline Rodrigues, Pedro Ariel Salvador e Vitori Jumapili. Artes: Rafael Cristiano. Seleção e edição de áudio por Paulo Cruz. Edição de texto por Thiago Borges.

Fala no arco: Assertividade ou…

Por Rafael Cristiano

Esse texto começa a imagem de um arco e uma flecha.

Há um tempo gira uma pergunta lançada por Spivak* no mundão: “Pode uma pessoa subalternizada falar?”. Essa pergunta não quer dizer sobre a habilidade de enunciar palavras, mas sobre a possibilidade de falar publicamente e ser ouvide. Por de baixo da pergunta existem outras incutidas: “O que acontece quando uma pessoa subalternizada fala?”; “Quem ouve a fala de pessoas subalternizadas?”.

A pergunta encontra o contexto brasileiro e desenha um lugar de fala. Todes falamos de um ponto, ou mais, que é intrinsecamente relacionado com nossa experiência no mundo a partir das interseccionalidades que nos atravessam.

Este conteúdo aplica Linguagem Neutra ou sem marcação de gênero. Saiba mais aqui!

Aqui em terras sul-americanas, eu pego Spivak pra uma conversa em minha cabeça e dela nasce uma outra pergunta: “O que pensa e/ou o que sente a pessoa subalternizada ao falar?”.

Som de arco tensionando.

Em uma reunião de trabalho,  alguém enuncia: “Eu não concordo com o que foi dito. Eu imagino por outro lado o rumo dessa conversa, penso que o interessante não é esse ponto levantado, por esse caminho deixamos de contemplar o que verdadeiramente importa, que é…”.

Rafael Cristiano (foto: Arquivo pessoal)

Essa é uma fala assertiva? Necessária? Agressiva? Prolixa? Sem rumo? Depende de quem enuncia? Depende do contexto? Depende de tudo isso?

Esse é um texto escrito por uma pessoa que vive em um espectro: Minha fala é assertiva ou desnecessária?

Hoje , tive contato com uma questão levantada por uma mulher cis negra: “Eu tendo a ser agressiva. Sempre penso se minha fala é assertiva ou agressiva. Qual o limite? Sei que é uma questão minha.”

Som de flecha sendo lançada.

Essa frase assertivamente chegou em mim. Percebi que na mesma reunião eu disse ao fim de responder uma pergunta feita: “Consegui responder sua pergunta?”. Essa na verdade é uma sentença muito comum em minhas conversas, junto com: “Ficou nítido?” “Deu pra entender?” “Não sei se me fiz entendido.”

Enquanto eu enuncio as palavras o meu corpo esquenta, produzo suor, tremo, gaguejo, e penso: “Será que está nítido o que eu estou pensando?”

Repito a pergunta: Quando o corpo subalternizado fala, o que ele pensa?

O meu processo pessoal encontra outros corpos, outras vivências e percebo não estar sozinho entre o espectro da assertividade e alguma outra coisa que não a que necessariamente gostaríamos de dizer.

A Grada Kilomba** lança a questão da fala, com a imagem da Anastácia, uma mulher escravizada que foi retratada com um instrumento de tortura chamado “Máscara de Flanders”, a máscara tinha a intenção de impedir a alimentação, a hidratação e a comunicação.

A pessoa que a usava deveria pensar muito bem no que falaria, assim que retirasse a máscara, porque o castigo poderia voltar.

As outras pessoas no contexto de escravizadas que observavam, internalizavam a máscara em seus corpos, e tinham como ordem interna um extremo cuidado com o que seria enunciado, afinal a próxima pessoa castigada poderia ser ela.

Cuidado com o que vai ser dito, para que ao entrar em contato com outre, não seja mal interpretado, porque o que estava em cheque era a sua dignidade humana.

Dizem o ser humano, um animal que fala. Dizem o ser humano, um animal de linguagem. Dizem o ser humano, um ser pensante e que organiza e desenha no ar os pensamentos em palavras. A máscara é friamente pensada para romper a noção de humanidade.

Estamos aqui.

Alguns anos depois, pensando ao enunciar palavras, se a qualquer momento o que está sendo dito vai ser compreendido, se a nitidez do pensamento intelectual está firme na fala. Se estou garantindo a minha humanidade no ato que me diferencia de qualquer outra espécie animal.

Neste momento a flecha recém lançada cai, antes de chegar ao alvo.

“Eu falo e tenho certeza que sou assertiva, mas as outras pessoas me acham muito fria e distante, me cobram no trabalho que eu seja mais ‘aberta’, menos formal. Mas enquanto eu falo, penso que esse é meu escudo. Não posso abrir uma brecha para que minha fala não seja questionada. Não posso abrir brecha para abusos. Já me fizeram um sinal de silêncio em uma reunião para que parasse de falar, já me mandaram mensagem no privado pedindo que não falasse em uma outra reunião. Imagina se eu fosse informal?” – Gerente de Projetos, mulher cis negra.

A imagem se amplia, vemos várias pessoas tensionando arcos e lançando flechas.

“Sei que essa é uma questão minha”.

Anos depois das máscaras de Flanders, estamos ocupando e desenhando outros lugares nas estruturas do país, estamos falando, lecionando, escrevendo, declamando, gerindo, comunicando, atuando, enquanto nos questionamos: Fui assertive ou…???

O trabalho árduo de exorcizar a máscara e os questionamentos paralelos à fala vem sendo minha tentativa no momento. Não quero me certificar se fui entendido, se o que falo é válido ou importante. Quero articular meus pensamentos no ar.

Li esse texto algumas vezes pra saber se o arco estava tensionado o bastante, se a flecha estava bem posicionada, se o alvo está na mira. E o alvo não é quem ouve. O alvo é a minha própria capacidade de linguagem, aquilo que me denota gente. O alvo é minha própria humanidade.

Fui assertivo com esse texto ou…

A pessoa abandona o arco, vai até a flecha e a quebra.

Rafael Cristiano é artista. Designer, ator e dramaturgo. Formado em design gráfico pela FMU em 2012. É Ọmọ Òrìṣà de Ossanyn. Tem interesse em arte e em morrer velhinho.

*Gayatri Chakravorty Spivak é uma crítica e teórica indiana, mais conhecida por seu artigo “Can the Subaltern Speak?” ou “Pode a pessoa subalterna falar?”

**Grada Kilomba é é uma escritora, psicóloga, teórica e artista interdisciplinar portuguesa, seu trabalho de maior destaque é o livro “Memórias da Plantação”, onde é encontrado o texto ‘A máscara’ aqui referenciado

Mama Grande e as lutas ancestrais e contra coloniais na Nicarágua

Por Berta Marson

Edição de texto: Helena Silvestre. Artes: Rafael Cristiano Fotos: Arquivo pessoal

A luta de Susana Marley Cunningham, como a de milhares de mulheres e homens do povo Miskitu da Nicarágua, é uma luta ancestral. Nascida em Waspán, no Caribe Norte da Nicarágua, ela é uma liderança Miskitu que começou seu trabalho em comunidades próximas ao Rio Coco, nessa mesma região, através da Fundação Civil para a Unidade e Reconstrução da Costa Atlântica (FURCA). Ela dedicou sua vida à defesa dos direitos de seu povo e de seu território localizado na Moskitia. 

Moskitia é o nome ancestral de um dos lugares habitados pelos outros e outras, uma diversidade de povos que foram silenciados e apagados dos registros históricos do território que chamaram Nicarágua, um nome que foi, até certo ponto, imposto a povos e culturas que tinham suas próprias formas de nomear sua terra e que até hoje lutam, reivindicando seu direito de existir. 

A Moskitia está localizada na América Central, a leste de Honduras e Nicarágua, ao longo da costa do Mar do Caribe. O território é habitado principalmente por povos indígenas e afrodescendentes. Tendo escapado dos domínios da colonização espanhola, esta área geográfica teve uma presença britânica em seu território, mas preservou modelos ancestrais de governos comunitários. As questões relativas a esses povos são decididas através de assembleias territoriais nas quais a autoridade máxima para tomar decisões é a própria comunidade.

Na Nicarágua, existem leis que reconhecem os direitos territoriais e a autonomia desses povos, mas, na prática, esses direitos não são respeitados. É diante disso que se levanta a voz de Mama Tara, ou Mamá Grande, denunciando o colonialismo interno que existe no país – incluindo decisões adotadas num modelo estatal de esquerda – desmistificando e desromantizando o processo revolucionário. Assim como ela, há outras mulheres que, desde comunidades ancestrais, tecem uma crítica estrutural das bases coloniais do Estado nacional nicaraguense:

“Somos líderes dos povos originários. Somos líderes que defendem os direitos de nossos povos humildes. Não somos deputados, não somos de partidos políticos, somos pessoas que amam a paz.
Conhecemos nossos direitos de povos originários. Somos perseguidos e não há oportunidades para os líderes e seu povo”.

Susana é professora e socióloga por profissão. Ela nasceu em Cabo Gracias a Dios, no norte do Caribe da Nicarágua, e viveu a maior parte de sua infância na comunidade Miskitu de Santa Martha, perto do rio Wawa. Ela foi professora de crianças que carinhosamente lhe deram o nome de Mamá Grande.

Aos 19 anos de idade, ela se formou como professora num curso de magistério. Sua língua materna é Miskitu, mas ela aprendeu espanhol na escola. Ela desenvolveu uma grande sensibilidade para sua língua materna como língua de instrução através de sua própria experiência, já que os textos escolares na Nicarágua são escritos em espanhol, fazendo com que a educação nos territórios Miskitu seja bilíngüe. Susana fala sobre como se sentiu durante seus anos como professora nas comunidades de seu povo.

“Não havia cadernos, não havia material escolar, nem uniformes. As crianças nas comunidades até hoje vão descalças. Eu estava interessada na situação das famílias. A água corria pelos telhados e a chuva caía sobre as casas e sobre a escola. Quando cheguei lá, as crianças estavam escrevendo no chão. Elas deitavam-se no chão, colocavam o peito no chão da escola e levantavam a cabecinha para escrever e olhar para o quadro.”

A violência colonial é histórica em Abya Yala (outro nome ancestral que designa a América Latina) e para o povo Miskitu isto não foi diferente, mesmo durante a Revolução Popular Sandinista. A revolução foi narrada a partir da perspectiva dos centros urbanos do Pacífico e da capital da Nicarágua, Manágua. Como muitos países da região, a história oficial da Nicarágua se concentra no que aconteceu em sua capital e silencia outras vozes e experiências deste movimento revolucionário. Para o povo da costa caribenha, o Sandinismo não representa o movimento heróico que liderou uma ação revolucionária; eventos dolorosos como o “Natal Vermelho” ainda vivem na memória comunitária.

Em 1982, durante o período da guerra dos anos 80 e após o triunfo da revolução popular sandinista, 42 comunidades Miskitu foram deslocadas à força por membros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). O sandinismo, ao tentar se institucionalizar no Caribe nicaraguense, teve vários confrontos com os povos negros e indígenas, principalmente por causa de sua imposição de visões coloniais e ocidentais de organização social e sua falta de compreensão e respeito a cultura ancestral desses povos. As próprias campanhas de alfabetização sandinista, nestas regiões da Nicarágua, tentaram ser conduzidas em espanhol. A voz de Mama Tara, junto com outras vozes caribenhas, se levantou para exigir que fosse realizada em Miskitu, Mayagna, Creole e outros idiomas falados no Caribe. O posicionamento desses povos e vozes como a de Susana, como crítica contra-colonial do Sandinismo, levou a que essas comunidades e vozes dissidentes fossem injustamente categorizadas como contra-revolucionárias. Na verdade, houve uma contra-revolução financiada pelos EUA, mas não foi o caso das comunidades tradicionais do Caribe. 

O “Natal Vermelho” foi uma tentativa de deslocar as comunidades Miskitu para outras áreas da costa caribenha para removê-las da linha de fogo, longe do local onde a contra-revolução estava localizada; durante esses eventos, as casas das comunidades Miskitu foram incendiadas e as plantações foram destruídas para evitar seu uso por “los contra”. As vozes Miskitu acusaram o Sandinismo de assassinato e tortura. Susana é uma sobrevivente do “Natal Vermelho”:

“Eu estava na lista, na fila para ser executada. Alguém apareceu e salvou minha vida. Ele me tirou dessa fila. A maioria deles era pessoal militar do Pacífico. Não havia pessoas que falavam Miskito.
Lá eles foram mortos e caíram na água. Eu sou um sobrevivente do Natal Vermelho e hoje estou aqui falando com vocês.”

A causa de Mama Grande após a guerra dos anos 80 passou da educação e defesa territorial à busca de solidariedade para a desminagem dos territórios Miskitu. Muitas pessoas perderam partes de seus corpos quando pisaram em minas que sobraram do conflito armado:

“Eram minas que explodiram e levaram os animais com elas quando as bombas explodiram. E também as pessoas que pisaram naquelas minas, porque não olharam para elas quando foram para o campo para trabalhar. Um pé ou dois pés foram destruídos. É assim que temos muitos irmãos com um pé ou sem um braço. Muitos deles morreram, mas depois começamos a denunciar que eles deveriam retirar essas minas. Que eles deveriam enviar especialistas para removê-las porque as pessoas precisavam trabalhar. Quando os especialistas chegaram nos anos 2000, nosso maior susto foi que as maiores minas, suficientes para matar uma vila inteira, estavam na entrada da igreja, na entrada das escolas, nos molhes, no caminho onde as pessoas andam. Isso foi terrível, foi um choque, mas depois continuei a denúncia.”

A voz de Mama Tara é uma prova de que a colonialidade permanece na Nicarágua; sua voz é desconfortável porque denuncia a contínua violação dos direitos dos povos indígenas, negros e periféricos. Susana luta pela afirmação de seu território ancestral, unida com as vozes do coletivo e da comunidade. A Nicarágua vive atualmente uma crise política que está oficialmente registrada como tendo começado em abril de 2018, no entanto, uma mulher indígena a explica de uma forma contrária à narrativa oficial:

“Nossa resistência foi histórica e sempre denunciamos que eles estavam nos matando, então, após a situação que eclodiu em abril de 2018, as pessoas começaram a entender que o mesmo que estavam fazendo conosco estava sendo feito contra os jovens que estavam desarmados, indefesos, e eles os mataram e continuam a matá-los. No Caribe, eles não prescrevem prisão, lá é só chumbo, mas a situação é bem parecida. É uma situação terrível, lamentável, que separou famílias”.

A passagem do tempo não deteve a luta desta corajosa mulher Miskitu do Caribe da Nicarágua. Hoje ela caminha com uma bengala e um coração dolorido porque no momento em que estamos prestando homenagem a sua luta, sua mãe faleceu. Embora ela tenha visto muitos irmãos e irmãs Miskitu, originários e afrodescendentes da Nicarágua partir, ela continua denunciando a extração mineira no norte da Nicarágua e a contaminação por mercúrio dos rios e dos corpos das pessoas que têm essa água como sua única fonte de sustento. 

“Nós defendemos nossas florestas. Até o último momento que Deus nos dê fôlego, continuaremos a defendê-la porque somos povos humildes, povos originários que amam a paz. Vivemos com nossa mãe terra e isto deve ser escutado.”

Hoje prestamos homenagem, de diferentes partes do Abya Yala, à Mama Grande da Moskitia da Nicarágua! Viva a luta da Mama Tara!

Este conteúdo faz parte do Especial Mulheres Negras Latino Americanas e Caribenhas, realizado pela Periferia em Movimento em parceria com a Revista Amazonas. Nas próximas semanas, traremos juntes novas histórias de mulheres que são referências em seus territórios. 

“Favela tá formada”: Funk consciente reflete efeitos da crise social e política

Por Fernanda Souza*

Orientação de reportagem: Gisele Brito. Edição de texto: Thiago Borges. Edição de áudio: Paulo Cruz. Artes: Rafael Cristiano

No fone de ouvido de Ronald Custodio sempre tá pegando um funk. E o que mais toca é MC Hariel, um dos expoentes do chamado funk consciente, subgênero que tá em alta nas ruas e nas redes. Ronald diferencia as vertentes pelos instrumentos utilizados e o contexto narrado, com um papo mais sério em que MCs passam a visão sobre assuntos do momento e usam trocadilhos pra chamar a atenção de quem ouve. 

“A maioria das coisas ali cantadas já aconteceram comigo ou próximo de mim. É algo do meu dia a dia ou dos meus amigos. Chega até a arrepiar. Isso me motiva a cantar e ouvir. Sem contar a visão que ele passa”, diz o jovem estoquista de 19 anos, que mora na quebrada da Caixa D’Água, entre Interlagos e Diadema (região metropolitana de São Paulo).  

Para ele, a música “Hit do ano” é foda por expressar isso de forma natural, especialmente nos trechos que em que MCs brincam com a ideia de fazer funk e são criminalizados por isso.

Ronald Custodio (foto: arquivo pessoal)
Eu tivesse com o cavalo jogando a peça pra cima
Ou então se eu tivesse pulando seu muro
Roubando todas suas joia, rendendo sua família
E se na hora que você parasse o carro no farol
Era a brecha que o delinquente queria
E se eu deixasse de lado a pipa e o cerol
Abrisse uma loja de droga, montasse várias franquia
Lixo é esse sistema que é feito de pilantra
Só de pensar no governo o ódio me dá tédio
Eles exige que você grite só pra ter dor de garganta
E depois ele quer te vender o remédio
Imaginaram eu trocando tiro com a polícia
Imaginaram eu passando no plantão das 6
Sorte que o funk veio com tudo na minha vida
E hoje o VG 'tá aqui cantando pra vocês
Imaginaram eu vendendo droga na lojinha
Imaginaram, só que não foi dessa vez
Avisa a favela, o funk 'tá mudando vidas
E hoje o elenco lança hit pra vocês
Hit do Ano, 9°trecho - MC Menor da VG

Sem deixar de lado outros subgêneros, como o mandelão, quem curte funk tem aderido ao consciente por uma representação do que vive no dia a dia. Uma playlist oficial do spotify sobre a vertente tem mais de 212 mil curtidas. Outro fenômeno está no youtube, onde “Cracolândia” chega a 200 milhões de visualizações. A música é uma parceria  entre DJ Alok, MC Hariel, MC Davi, MC Ryan SP, Salvador da Rima e Djay W, e atingiu a marca dos primeiros 100 milhões de views nos primeiros 45 dias no ar – um feito para os envolvidos na parceria. 

Nesta reportagem, a Periferia em Movimento fala das origens do funk consciente, da retomada do subgênero e o impacto das letras entre quem escuta. Pra acompanhar a reportagem, dá o play na seleção que a gente fez com alguns dos maiores sucessos.

Pra começo de conversa

Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz
Onde eu nasci
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer
Com tanta violência, eu sinto medo de viver
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado
[...]
Rap da felicidade, Cidinho & Doca

O funk é um gênero musical que está sempre em movimento. Nascido no final dos anos 1970 no Rio de Janeiro, pega referências de outros gêneros e gera vertentes como o funk rave, uma mistura do ritmo eletrônico com o pontinho do funk. E nessa história, o consciente é um dos subgêneros mais antigos, surgindo na década de 1990 e tendo como forte característica letras que mostram a realidade das favelas cariocas. Temas como o racismo, o abuso policial e a reivindicação de melhores condições de vida ecoavam nos versos. 

Segundo Juliana Bragança, em seu livro ‘’Preso na Gaiola, a criminalização do funk carioca nas páginas do jornal do Brasil”, nomes como Cidinho & Doca (da Cidade de Deus), William & Duda (Morro do Borel) e Junior & Leonardo (Rocinha) são artistas que fazem parte da ‘’velha guarda’’ do funk e que devem ser citados quando o assunto é o subgênero consciente.

‘’O consciente já existe há muito tempo, como o ‘Rap da Felicidade’ e o ‘Rap do Silva’. Além da parte violenta, do sangue, da dor e do choro, também tem a parte política e as pessoas que reivindicam melhorias. Pessoas que não tem voz se inspiram nessas músicas’’, nota MC Smith, um “relíquia” (alguém antigo no movimento) do funk carioca, que lembra que a vertente pegou a estrada e aportou no início dos anos 2000 na Baixada Santista (SP), considerada a segunda casa do funk.

Foi no litoral paulista que nomes como Felipe Boladão, MC Primo, Duda do Marapé e outros que também já faleceram se tornaram conhecidos por cantar o proibidão – subgênero que aborda temas como crime organizado -, mas também por letras que se encaixavam no funk consciente.

Lágrimas caem quem já passou no sofrimento
Coração bate acelerado mó saudade
Na minha vida toda só tive arrebento
Família minha, meus amigos de verdade
Era muito longe, às vezes não tinha visita
Graças a Deus os companheiros lá da Ilha
Sempre chegaram e nunca esqueceram de mim
Em qualquer situação eu ia até o fim
Mas mesmo assim a saudade continuava
Lágrimas - Duda do Marapé

Essa vertente consciente em São Paulo nunca deixou de existir, mas ficou um pouco de lado ao dividir o protagonismo com subgêneros como o ostentação, que surgiu em 2008 e viveu o auge nos governos Lula e Dilma (PT). Segundo Thiago Torres, mais conhecido como o Chavoso da USP, o sucesso na época refletiu um período de aumento do emprego com carteira assinada, acesso a crédito e a sensação de integração à sociedade por meio de carros, roupas e bens de consumo.  

Agora, o momento histórico é outro. 

A crise social e política pela qual atravessa o País, bem como a busca por informação, colocam o funk consciente paulista em alta novamente. Desde 2019, uma lista com nomes como MC Hariel, Marks, Lipi, Paulinho da Capital, Cassiano e outras ganha mais integrantes.

A primeira geração destacava as vivências nas periferias, a referência às origens e as questões sociais. A segunda onda carrega essas características, mas com uma carga política mais evidente – o que faz o funk consciente ser relacionado ao “rap de mensagem”. 

Especula-se que a retomada é marcada por “Sou Vitorioso”, que chegou a ficar semanas no top 50 das mais ouvidas do Spotify, atingindo o 6º lugar. A música junta MC Neguinho do Kaxeta, referência da primeira geração do consciente, que retorna à vertente após transitar por outros subgêneros; e MC Lele JP, da geração atual.

Por que tamo ouvindo?

MC Marabu (foto: @thalita_gui)

Cria do Capão Redondo (zona Sul de São Paulo), MC Marabu curte ouvir MC Cebezinho, que tem uma pegada melódica, com referências de forró e reggae, pra falar das vivências da quebrada. É comum no movimento artistas transitarem entre os diferentes subgêneros, espelhando a complexa realidade do momento, e não necessariamente encaixar uma música em tal vertente. 

‘’Eu tenho um pouco de problema com as divisões. Hoje em dia, as coisas são mais profundas, mas é a melhor forma que temos encontrado pra chamar. É reflexo da nossa quebrada, vivências, neuroses e expectativas’’, observa o MC de 24 anos. 

Pablo Cerqueira (foto: arquivo pessoal)

Conhecido como MC PEAA, Pablo Cerqueira canta a vertente mandelão (ou putaria) mas tem uma ligação forte com o chamado consciente. “Eu curto funk consciente porque ele fala sobre a vivência, mano. Representa a realidade não só da massa funkeira, mas acredito também de quem é da favela”, afirma o jovem de 25,  anos que é morador da quebrada da Espraiada (zona Sul de São Paulo), assim como o finado rapper Sabotage. 

Para ele, “Hit do ano” também é um marco por trazer uma letra que não passa batida e que demonstra que a periferia entende a política de forma orgânica, debatendo questões do dia a dia. “Ah, envolve opressão, política. É só prestar atenção na letra que vão perceber que o que os caras falam é tudo verdade’’, comenta Pablo.

Joga no peito a cobrança de ser favelado
De andar com o vidro baixo e eles vim parando
É que se pá chegou a época dos PL safado
Prometer pra minha favela o hospital do ano
Joga na cara da madame e manda ela descer
Sem opinião que ele também foi ser trabalhador
É que se pá entregou currículo e o filho do boyzão
Mandou ele meter marcha só por ser pobre e favelado
Eu sou mais uma voz periférica da comunidade
Não me inspirei no Bolsonaro e nem no tal Haddad
Pra favela os popstar é o Haridade e pá
O Neguinho do Kaxeta e o mestre Tupac
Olha, o tormento é um na cara
Poucas ideia, vergonha pra mídia
Tem que colocar fé pros favelado vencer
Povo preto no poder, 'cê entende minha brisa?
Hit do Ano, 8°trecho - MC Ryan SP

MC Luanna, que canta funk e outros gêneros musicais, aponta que ainda falta representação das minas na vertente. Ainda assim, a artista de 26 anos que vive em Osasco (região metropolitana de São Paulo) ouve o funk consciente porque a aproxima da realidade. O MC que ela mais gosta é Cassiano, pois traz uma linguagem fácil e vivência próxima à dela. “Minhas músicas favoritas são ‘A favela tá moiada’, do MC Cassiano, ‘Gominha da Rainha’, do MC Magal, e ‘Fé, prego e madeirite’, do Neguinho do Kaxeta’’, conta.

“Eu continuo escutando porque é uma representação ali querendo ou não do que eu vivo, tá ligado? É você ouvir e sentir que tem alguém ali falando por você, mesmo que a narrativa não venha de uma mulher, tá ligado?’’, completa MC Luanna.

MC Luanna (foto: arquivo pessoal)
Nunca teve uma irmã tirada de puta por usar roupa curta
Entende, truta? Esse é o peso da luta
Esse é o peso da luta
[...]
E pros amigo que é desfalque ficou na memória
Acostumado com um gosto de uma vida amarga
Uma harmonia nova a toda bomba que estoura
E pro governo que não ajuda e, ao contrário, atrasa
Não tem lazer, não tem cultura e nem um hospital daora
A gente cresce sendo alvo de opressão e raiva
A gente trampa pra carai em troca de esmola
A gente só ganha atenção quando é na tela do Datena
[...]
Hit do Ano, 1°trecho MC Leozinho da ZS, 2°trecho MC Hariel

E a favela tá formada e é o elo na corrente. Então vai treta. Avisa que é o funk.

*Fernanda Souza é participante do “Repórter da Quebrada – Uma morada jornalística de experimentações”, programa de residência em jornalismo da quebrada realizado pela Periferia em Movimento por meio da política pública Fomento à Cultura da Periferia de São Paulo

Marcha das Mulheres Negras pauta bem viver em tempos de pandemia

Foto em destaque: Bloco da Marcha no ato do dia 13 de maio

“Mudar esse sistema econômico e político é urgente e nós, mulheres negras, estamos à frente nessa luta”, diz o chamado do núcleo impulsor da Marcha das Mulheres Negras em São Paulo. A ação chega a sua sexta edição neste domingo (25/7), marcado como Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, que foi líder do Quilombo do Quariterê no século 18.

Em meio à pandemia, o evento acontece em grande parte pela internet e pauta o bem viver e uma sociedade mais justa, com vacina, comida e contra o Estado genocida.

Com transmissão pelo facebook e youtube, a programação começa às 16h, com o axé das mães de santo que compõem a Marcha, seguido por uma atividade para crianças e o “salve das quebradas”, com faixas e manifestações. Às 17h30, a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo divulga seu manifesto.

Às 18h, acontece a mesa de debates sobre os 6 anos da grande marcha que levou 50 mil mulheres negras a Brasília, com a participação de Cinthia Abreu, Luciana Araújo, Neon Cunha, Nilza Iraci e mediação de Cinthia Gomes.

O evento prevê ainda projeções noturnas nas ruas de São Paulo, exibição de um documentário sobre o movimento e shows de encerramento com o Samba Negras em Marcha e a MC Luana Hansen.

Em novo ato nas ruas, movimentos pressionam por impeachment de Bolsonaro

Foto: Thiago Borges / Periferia em Movimento

Movimentos sociais e partidos políticos do campo da esquerda voltam às ruas de todo o País neste sábado (24/7), para mais um ato que pede o impeachment de Jair Bolsonaro, atual ocupante da Presidência da República. Em São Paulo, o protesto acontece a partir das 16h, na avenida Paulista.

É a quarta grande manifestação realizada num período de menos de 2 meses, que ganha impulso diante do número de vítimas da covid-19 (que se aproxima dos 550 mil óbitos), das constatações de que o governo federal atuou pela contaminação em massa da população e das denúncias de corrupção nas negociações das vacinas contra a doença.

Frente formada por mais de 200 organizações e entidades do movimento negro, a Coalizão Negra por Direitos é uma das articuladoras do ato e lembra que ele acontece um dia antes do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado no domingo (25/7).

“A primeira pessoa a morrer em consequência desta infecção foi uma mulher negra trabalhadora doméstica que não pode ficar em casa para se proteger durante a pandemia. Além disso, as famílias chefiadas por mulheres negras correm mais risco relacionados à insegurança alimentar, isto é, estão mais sujeitas a passar fome, bem como as mulheres negras conformam o maior grupo social entre pessoas desempregadas”, diz a articulação.

A Coalizão defende a ida às ruas para lutar contra o genocídio seja pela bala, pela fome ou pela covid-19. Movimentos como dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), entre outros, exigem ainda vacina para toda a população, a volta do auxílio emergencial de R$ 600, contra o desemprego e a fome, entre outras reivindicações. Partidos políticos de oposição (PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PSTU, PCB, PCO e UP) também endossam a manifestação.

Veja abaixo a relação de atos previstos em diferentes partes do País

REGIÃO NORTE

AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h

PA – Altamira – Em frente Celpa/Equatorial | 8h

RO – Guajará-Mirim – Parque Circuito | 9h

RO – Ji-Paraná – Casa do Papai Noel | 8h30

RO – Porto Velho – Praça do CEU da zona leste, rua Antônio Fraga Moreira, 8250 | 8h30

RO – Porto Velho – Campo Florestão na Av. Jatuarana | 16h

REGIÃO NORDESTE

AL – União dos Palmares – Rua XV de Novembro (semáforo Globo) | 9h

BA – Ilhéus – Panfletagem ao lado do BIG-Meira no Malhado (entrada na Feira Popular) | 9h

BA – Ilhéus – Caminhada Praça da Irene (Av. Soares Lopes) | 12h30

BA – Itabuna – Jardim do Ó | 9h

BA – Paulo Afonso – Igreja N.Sra do Perpétuo Socorro | 9h

BA – Salvador – Campo Grande até Praça Municipal | 10h

BA – Serrinha – Praça Centenário | 9h

CE – Baturité – Praça da Matriz | 8h

CE – Fortaleza – Praça Portugal | 15h

CE – Juazeiro do Norte – Região do Cariri – Rua São Pedro | 8h

MA – São Luís – Praça Deodoro | 9h

PB – João Pessoa – Carreata Josafa Taveira, Mangabeira |

PB – Patos – Praça João Pessoa (CEPA) | 8h

PB – Sousa – Praça da Estátua (Rua Cônego José Viana, Estação) | 7h

PE – Arco Verde – Praça da Bandeira | 9h

PE – Bezerros – Anfiteatro atrás da Igreja da Matriz I 9h

PE – Garanhuns – Fonte Luminosa | 9h

PE – Palmares – Praça Paulo Paranhos | 9h

PE – Petrolândia – Polo e STR | 7h30

PE – Petrolina – Praça da Catedral | 9h

PE – Recife – Praça do Derby | 10h

PE – São José do Egito – Ato unificado Sertão do Pajeú na Feira Livre Central | 8h

PE – São José do Egito – Feira Livre I 8h

PE – Serra Talhada 10h Pátio da Feira

REGIÃO CENTRO-OESTE

DF – Brasília – Museu Nacional | 15h

MS – Ponta Porã – Minhocão (Antiga Praça Lício Borralho) | 8h

GO – Goiânia – Praça do Trabalhador I 9h

REGIÃO SUDESTE

MG – Barbacena – Praça do Rosário | 10h

MG – Belo Horizonte – Praça da Liberdade | 13h30

MG – Brumadinho – Av. Vigilato Braga esquina com Quintino Bocaiúva | 9h

MG – Betim – Viaduto Jacintão | 8h30

MG – Cataguases – Praça Catarina | 8h30

MG – Conselheiro Lafaiete – Prefeitura | 13h

MG – Divinópolis – Rua São Paulo | 09h

MG – Extrema – Praça Getúlio Vargas | 11h

MG – Itaúna – Praça da Matriz | 9h

MG – Juiz de Fora – Parque Halfeld | 10h

MG – Mariana – Centro de Convenções | 9h

MG – Muriaé – Antiga Prefeitura | 11h30

MG – Ouro Preto – Alto da Cruz | 9h30

MG – Passos – Estação Cultura | 16h30

MG – Ponte Nova – Praça Palmeiras | 9h

MG – Sete Lagoas – Pça Tiradentes | 9h

MG – Ribeirão da Neves – Praça de Neves | 9h30

MG – Uberaba – Praça Rui Barbosa | 10h30

MG – Uberlândia – Praça Ismene Mendes (Antiga Tubal Vilela) | 9h30

MG – Viçosa – 04 pilastras da UFV | 09h30

RJ – Angra dos Reis – Praça do Papão no Centro | 10h

RJ – Barra do Piraí – Praça Nilo Peçanha | 9h

RJ – Búzios – Praça da Escola Nicomedes (Em frente ao Porto da Barra) | 16h

RJ – Campos – Praça São Salvador | 10h

RJ – Miguel Pereira Centro, em frente à Fornemat | 12h

RJ – Nova Friburgo – Praça Getúlio Vargas | 14h

RJ – Paty dos Alferes – Praça do Fórum | 10h

RJ – Petrópolis – Praça da Inconfidência | 11h

RJ – Resende – Mercado Popular | 10h

RJ – Rio de Janeiro – Monumento Zumbi | 10h

RJ – São Fidélis – Praça Guilherme Tito de Azevedo | 9h30

RJ – Teresópolis – Carreata na Praça do Sakura | 9h

RJ – Teresópolis – Caminhada Calçada da Fama | 9h

RJ – Três Rios – São Sebastião | 16h

RJ – Vassouras – Praça Eufrásia Teixeira Leite |10h

SP – Americana – Praça Comendador Muller |10h

SP – Araçatuba – Praça Ruy Barbosa | 10h

SP – Atibaia – Praça do Mercado Municipal | 14h

SP – Barueri – Ato no Boulevard de Barueri | 13h

SP – Carapicuíba – Cohab II, Feira da Av. Brasil com Escola Edgar de Moura Bitencourt | 10h

SP – Cotia – Praça Joaquim Nunes (ao lado do Cemitério) | 13h

SP – Ilha Bela – Praça da Mangueira | 15h

SP – Itanhaém – Calçadão da Praça Narciso Andrade | 10h

SP – Jandira – Ato na Estação de Trem de Jandira | 10h

SP – Mairiporã – Praça do Rosário | 10h

SP – Marília – Bicicletada – Praça da Emdurb | 9h

SP – Marília – Na ilha da Galeria Atenas | 10h

SP – Osasco – Largo de Osasco em frente à Estação CPTM | 12h30

SP – Ribeirão Preto – Esplanada Teatro Pedro II | 9h

SP – Santos – Ato Unificado Baixada Santista Pça Independência | 16h

SP – São Bernardo – Praça da Matriz | 10h

SP – São Carlos – Mercadão | 10h

SP – São Paulo – Masp | 16h

SP – Ubatuba -Estátua do Caiçara- Trevo I 16h

REGIÃO SUL

PR – Apucarana – Av. Curitiba | 10h

PR – Francisco Beltrão – Praça Central | 9h

PR – Pinhais – Prefeitura | 15h

PR – Umuarama – Praça Arthur Thomas | 15h

SC – Araranguá – Relógio do Sol | 10h

SC – Balneário Camboriú – Ato Regional – Praça Almirante Tamandaré | 15h

SC – Blumenau – Praça Dr. Blumenau | 15h

SC – Brusque – Ponte Estaiada | 10h

PR – Cascavel – Em frente a Catedral | 14h30

SC – Criciúma – Rua da Arquibancada (ao lado do Parque das Nações) | 9h30

SC – Chapecó – Em frente à Catedral | 14h

SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 13h

SC – Garopaba – R. Álvaro E dos Santos | 15h

SC – Jaraguá do Sul – Praça Ângelo Piazera | 9h

SC – Joinville – Praça da Bandeira | 9h30

SC – Lages – Praça João Costa (Calçadão) | 10H

SC – Rio do Sul – Praça da Catedral | 9h30

SC – Tubarão – Praça da Igreja (Matriz das Oficinas) | 14h

RS – Camaquã – Esquina Democrática | 9h30

RS – Caxias do Sul – Praça das Feiras | 13h30

RS – Pelotas – Caminhada Mercado Público | 10h30

RS – Porto Alegre – Prefeitura | 15h

“Fim da tranca”: Projeto apoia pessoas egressas do sistema prisional

Foto em destaque: Agência Brasil

O Brasil tem mais de 750 mil pessoas em privação de liberdade. Depois de passar pelo cárcere, a retomada da vida em comunidade não é tão simples. Por isso, a Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio apresenta o projeto “Fim da Tranca: a voz do egresso”.

O projeto é voltado principalmente a pessoas que vivem nos territórios de atuação da Rede na Grande São Paulo: Mauá, Jaraguá, Taipas, Butantã, Capão Redondo, Jardim Ângela, Campo Limpo ou São Mateus. Para participar, é necessário preencher o formulário clicando aqui.

O objetivo é apoiar pessoas egressas no acesso a políticas públicas de garantia de direitos fundamentais e direitos específicos à situação de quem deixou o sistema prisional. Dessa forma, o projeto visa a inserção na vida familiar e comunitária, a inclusão nos sistemas de educação formal e na formação para o trabalho, além da busca por emprego ou geração de renda.

A iniciativa também quer aplicar formações em direitos humanos e engajamento político dessas pessoas, para que elas se tornem agentes em atuação contra o ciclo de reencarceramento em seus territórios.

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