Com 2020 no retrovisor, em busca de um cenário mais favorável em 2021

Foto: produção do documentário Interrompemos a Programação (?)

No último conteúdo publicado neste ano, queremos agradecer a quem esteve com a gente nesta caminhada. Foram mais de 120 reportagens, vídeos, podcasts e encontros virtuais produzidos ao longo dos últimos meses, em diferentes formatos e sobre diversos assuntos. Em 2021, seguimos lado a lado.

Confira a mensagem da Periferia em Movimento neste final de 2020 em 1 minuto:

E abaixo, links para projetos especiais que realizamos:

  • Fortalece Quebrada: série de reportagens sobre pequenos negócios periféricos em segmentos como comida por delivery, alimentos como presente, hamburguerias, cervejarias, iniciativas de moda e de autocuidado – uma parceria da Periferia em Movimento com a agência de comunicação Borá Lá
  • Interrompemos a Programação (?): documentário da Periferia em Movimento aborda comunicação, jornalismo e identidade periférica em meio à pandemia do coronavírus
  • Quebra das Ideias: série de 10 podcasts que buscam ampliar o entendimento com a participação de convidadas e convidados abordando assuntos como necropolítica, luta das mulheres, pessoas trans no poder, vida com HIV, entre outros
  • Desafios Repórter da Quebrada: série de conteúdos em foto, áudio e vídeo produzido por adolescentes de periferias de São Paulo durante a quarentena e com orientação à distância da equipe da Periferia em Movimento
  • Encontros on-line Repórter Quebrada: versão virtual do curso da Periferia em Movimento que busca discutir o que forma as bases do jornalismo de quebrada: memória e identidade; garantia de direitos; protagonismo na narrativa; e ocupação dos espaços de poder
  • Quarentena pra quem?: documentário e reportagem feitos por jovens articuladores da rede de cursinhos populares Uneafro em parceria com a Periferia em Movimento
  • FELIZS: Cobertura especial da edição 2020 da Festa Literária da Zona Sul
  • Fé na quarentena: série de relatos de como adeptos de diferentes religiões vivenciaram o período de quarentena
  • Opinião: Artigos de convidadas e convidados e o posicionamento da Periferia em Movimento sobre diferentes temas

Como cobrimos o impacto da pandemia nas periferias?

Foto em destaque: Douglas Fontes

Os investimentos na saúde serão feitos de forma equânime? As periferias e favelas têm condições de garantir a quarentena? De que forma, trabalhadores informais vão se sustentar nesse período? Como fica a situação de pessoas em situação de rua? E de que forma prevenir a violência doméstica contra mulheres, idosos e crianças, convivendo por mais tempo com seus potenciais agressores?

Com 16 perguntas logo no início da crise sanitária e econômica, nossa equipe pautou a cobertura territorializada do assunto considerando a garantia de direitos da população.

Confira como a Periferia em Movimento cobriu o impacto da pandemia nas periferias em 2020 em 1 minuto:

E abaixo, você confere as principais matérias publicadas sobre isso:

A luta pela garantia de direitos sob nossa ótica

Foto em destaque: Julia Vitoria

A pandemia de coronavírus intensificou antigos problemas decorrentes da desigualdade social e racial que estruturam a vida de brasileiros. A necessidade do distanciamento social ampliou o desemprego e a queda na renda. A busca por benefícios como o auxílio emergencial foi dificultada. Muitos trabalhadores aderiram ao trampo informal, como os entregadores por aplicativo. Mas tava osso.

Em meio a isso, a marcha fúnebre seguiu seu rumo. Prisões forjadas, execuções e a retomada das ruas para barrar o vírus e a bala.

Velhos e novos sonhos e angústias de moradores das periferias se expressaram nas eleições municipais, que registrou o fenômeno de candidaturas periféricas.

Confira como a Periferia em Movimento cobriu a luta pela garantia de direitos em 2020 em 1 minuto:

E abaixo, você confere as principais matérias publicadas sobre isso:

Nós por nós em perspectiva: A solidariedade e o autocuidado em tempos difíceis

Foto em destaque: Instituto Fundão

Diante da omissão dos governantes na crise da pandemia, moradores de periferias se mobilizaram para garantir o mínimo para sobreviver: da doação de alimentos a campanhas de conscientização, a auto-organização que já é comum nas quebradas foi fundamental para amenizar os impactos nesse período.

E com a necessidade do distanciamento social, precisamos adotar práticas para manter a saúde mental, os cuidados com o corpo e as relações com crianças, gestantes e idosos, assim como identificar potenciais situações de violência. Diante do luto, precisamos encontrar forças para lidar e superar a dor.

Confira como a Periferia em Movimento pautou as redes de solidariedade e iniciativas de autocuidado em 2020 em 1 minuto:

E abaixo, você confere as principais matérias publicadas sobre isso:

O alimento como presente: Chave para gerar trabalho e renda

Por Ludmila Fernandes 

Transformar uma refeição em uma ocasião especial é uma grande qualidade e, cada vez mais, esse diferencial é apreciado pelo público. E com a criação de diversas empresas neste ramo, os detalhes mais do que nunca são essenciais para crescer. 

Por isso, vamos falar de 3 iniciativas que preparam e fornecem o alimento como presente: a Cozinha da Rê – Alimentos Saudáveis, a Cozinha com Afeto e a Quero Mais.

Esta é a 6ª e última matéria desta temporada da série Fortalece Quebrada, um projeto da Periferia em Movimento e da agência de comunicação Bora Lá para destacar empreendimentos criados por moradoras e moradores das periferias de São Paulo.

Prazer e saúde

Em 2017, Ana Regina de Luna estava sem trabalho fixo. Com a necessidade de gerar renda, ela viu a oportunidade de fazer algo que ao mesmo tempo propiciasse algum tempo livre para aproveitar a vida. Dessa forma, em novembro daquele ano ela lançou oficialmente a Cozinha da Rê, que tem como foco a preparação de alimentos saudáveis pensados especialmente para quem tem restrições alimentares ou é vegano ou vegetariano. 

A inspiração veio de dentro de casa: a mãe de Ana Regina sempre teve cuidado com a alimentação; e uma amiga dela, que é vegana, também sempre sinalizou isso. O conhecimento foi aperfeiçoado em um curso da Empreende Aí. 

Ana Regina começou a fazer suas receitas e incrementou o cardápio após cursos para fabricação de pães, bolos, tortas, geleias e pastas. Ela utiliza ingredientes orgânicos na maioria das vezes. No pão, inclui ora pro nobis, uma planta alimentícia não convencional que contém a proteína da carne. Sem conservantes químicos, um pão caseiro dura até 10 dias. 

Além de fabricar, Ana Regina também faz as entregas a partir de sua casa no Jardim Macedônia (região do Campo Limpo). Quando não dá conta do movimento, pede ajuda a sua irmã. Os parentes e amigos também provam cada nova receita e atestam a qualidade do produto.

Como funciona? Peça pelo whatsapp (11 94703-6933). Entre as opções de pagamento estão dinheiro, cartão de débito e crédito, transferência bancária e boletos.  

Novas experiências 

Daniela Souza e Regiane Soares ficaram sem emprego fixo desde o início da pandemia de coronavírus. Em meio ao “despesero”, elas viram no alimento como uma oportunidade: afinal, a comida sempre esteve presente conectando suas histórias com amigues e familiares. 

Daniela e Regiane, da Cozinha com Afeto (foto: Divulgação)

“A Regiane já trabalhou em restaurante e trouxe um pouco dessa bagagem para organização da logística e da produção na cozinha”, explica Daniela. 

Da Vila Sônia (zona Oeste de São Paulo), elas pensaram em um negócio que fornecesse comida de qualidade desde Parelheiros (no Extremo Sul) até o centro da cidade com um preço acessível. 

Com pratos que vão da culinária brasileira e mexicana à cozinha italiana ou árabe, a Cozinha com Afeto se reinventa a cada dia. 

“Tirar a ideia do papel até hoje tem nos surpreendido! O processo de adaptação e reinvenção são quase que diários, e a dimensão que a Cozinha tomou e tem tomado segue nos surpreendendo”, continua Daniela.

Mesmo baseado na pandemia, que gera incertezas, o objetivo das sócias é de continuar expandindo a iniciativa. 

Como funciona? Peça pelo whatsapp (11 98157-2807 ou 95453-8427) ou instagram (@cozinha_afeto). O pagamento pode ser feito com dinheiro, cartões de débito e crédito, transferência bancária, vale refeição VR ou Sodexo.

Gostinho a mais

Regina, da Quero Mais (foto: Divulgação)

A família de Regina Pereira dos Santos sempre curtiu uma cozinha. Além de sempre valorizarem o ato de “receber pessoas em casa” com pratos variados, fazer festas e comemorações, ela e seus irmãos são “filhos da boleira” do bairro de Cidade Dutra (no Extremo Sul de São Paulo). Por isso, a culinária se tornou uma tradição familiar. 

Regina, por sua vez, já fazia suas receitas caseiras. E com a pandemia e a sensação de que o tempo não passava, com dias poucos produtivos, em abril de 2020 ela oficializou a criação da Quero Mais – Aromas e Sabores e Especiais. Edson Pereira dos Santos e Tainá Santos de Souza também colaboram na iniciativa que vende geleias e molhos, como o “Rio 40 graus”, que tem alho crocante, especiarias e pimenta calabresa. 

Como funciona? As vendas são feitas através de uma plataforma de pedidos, onde o cliente informa a forma de pagamento e retirada. Clique aqui para acessar. O whatsapp é o 11 99345-0684. Acesse aqui o instagram.

Tássia Reis, Veja Luz, Msário e mais 5 lançamentos recentes pra ouvir ainda em 2020

Foto em destaque: Jef Delgado

Das percepções sobre a pandemia ao amor afrocentrado. Da indignação com o governo ao autoconhecimento. Músicos periféricos e independentes desenvolveram e lançaram novos trabalhos – e a Periferia em Movimento indica 8 lançamentos dos últimos meses pra você conferir antes da virada do ano.

1. “Enquanto a cidade dorme”, da Banda Veja Luz 

Em tempos de pandemia, a empatia e compreensão com os que estão na linha de frente dão o tom no novo trabalho do grupo. A ideia principal foi contextualizar a cidade e seus personagens em tempos de pandemia, mostrar quem são essas pessoas que estão na ativa para que tantas outras possam permanecer em suas casas. Trabalhadores das mais diversas áreas são retratados de forma orgânica e natural, sem script e sem roteiro. Este foi o segundo trabalho lançado do EP de mesmo nome da banda de reggae das quebradas da zona Sul de São Paulo.

“É preciso provocar reflexões em todos os momentos para tenhamos uma sociedade mais atenta com o próximo e disposta a se doar um mínimo que seja para melhorar o cotidiano de alguém, sobretudo em um momento como o que estamos vivendo, onde somente o afeto pode nos tirar do obscurantismo e nos trazer à luminosidade”, aponta a banda Veja Luz.

Assista abaixo:

2. “Preta”, de DJ Thai e Tássia Reis

Em uma faixa marcada pelo funk, trap e charmes guiados por linhas orgânicas, o DJ Thai (do Heavy Baile) e Tássia Reis celebram o amor afrocentrado e todos os seus carinhos, cuidados, afetos e segredos compartilhados.

“Esse é um funk somado ao trapzinho lento, com toda uma dinâmica que chega fazendo charme entre variações de ritmos, toques eletrônicos e linhas orgânicas marcadas pela guitarra e sax. Ambos, tocados por mim”, destaca o beatmaker, multi-instrumentista, produtor e compositor.

Acompanhando essa estreia, uma versão audiovisual gravada entre Rio de Janeiro, no Vidigal, e São Paulo, no C4 Studio. Samuel Andrade assina a direção. Ouça e assista abaixo:

3. “Acredito no Amor”, de Msário

Em processo de gravação do seu segundo disco-solo, em outubro Msário lançou o primeiro single de seu novo trabalho. A faixa traz elementos da música latina, africana e do rap, criando uma mescla coesa entre sonoridades contemporâneas e é inspirada em uma história real.

“Para concepção do vídeo, me perguntei quais eram os artistas que tocavam o meu coração e me guiei por isso. Eu quis trazer algo mais roots e mais da terra para estética”, completa Msário, que tem uma carreira de 20 anos no rap e despontou na cena com o grupo Pentágono.

4. “Distância”, de Ravih

Paulistano do Extremo Sul da cidade, Ravih trouxe do sânscrito seu nome artístico, que na língua de origem indiana denomina o sol. Com uma musicalidade voltada para estilos mais festeiros como o pop, o R&B e o soul, o artista começou a escrever canções próprias ainda na adolescência e essa prática resulta agora com a estreia de sua carreira musical. O jovem lançou o EP “Distância”, que você pode ouvir nas plataformas de áudio, e também o clipe da faixa “Lanterna”. Assista abaixo.

5. “OQCÊQUERBOY? II”, do Tramando Ideia Rap

Lançado no último 20 de novembro, dia da Consciência Negra, o single e clipe dá sequência a outra obra de mesmo título apresentada no ano passado e assume uma nova roupagem a partir de um movimento de descobertas do grupo sobre ancestralidade e empoderamento preto. A letra ácida e com linhas diretas ao ponto representa a revolta de pessoas negras em meio ao caos causado pelo racismo.

“A ideia central desta música pode ser resumida como uma revolta contra a ordem social, política e econômica corrompida pelos ‘donos do mundo’. Os ancestrais vêm nos mostrando o quanto somos valiosos e muito importantes nesse universo, ninguém pode apagar esse brilho sagrado que há em nós. Corpos pretos vêm sendo alvos de ideais racistas, fascistas e ditatoriais há mais de 500 anos e, em pleno século 21, essa bandeira continua sendo levantada de forma explícita”, explica Nego Iego, integrante do grupo de rap.

Confira:

6. “Império de Lúcifer”, de Banndog

Em seu novo trabalho, o rapper do Grajaú (Extremo Sul de São Paulo) denuncia a conjuntura política do País, em especial o governo federal militarizado que tem o Presidente Jair Bolsonaro como chefe. A letra aborda a manipulação popular, as manifestações de apoiadores do governo contra a democracia, o uso das mídias e críticas a líderes religiosos fundamentalistas.

7. “Oxitocina”, de Gabriellê

No Dia Mundial do Hip Hop, 12 de novembro, a artista lançou seu terceiro trabalho autoral – que tem o mesmo nome do hormônio da felicidade e do prazer. A inspiração para a composição da letra veio das reflexões da artista sobre os vários bloqueios emocionais que, enquanto seres humanos desenvolvemos ao longo da vida.

O videoclipe foi gravado na casa dela, em Americanópolis (zona Sul de São Paulo). Veja:

8. “Acaso”, de Gabs

Com um xote paulistano, cantor revela um pouco da sua sonoridade em clipe com elenco diverso em identidade de gênero e participação da cantora Marilhia Freire. Produzida dentro do projeto “Música por Minuto”, do estúdio SigoSom, “Acaso” foi lançada em junho de 2019. E recentemente, a canção ganhou as telas com uma poesia visual. Assista abaixo:

Contribua: 6 campanhas de Natal pra você colaborar

Ao longo dos últimos meses, citamos vaquinhas e redes de solidariedade que colaboraram para amenizar os impactos da pandemia nas periferias Brasil afora. Com o ano de 2020 chegando ao fim sem que haja uma solução definitiva para a crise do coronavírus, movimentos e organizações se articulam para que ao menos este Natal seja mais tranquilo para famílias em vulnerabilidade.

A Periferia em Movimento mapeou e indica abaixo 6 campanhas para você colaborar.

1. Ajude os moradores da Maloca do Alcântara Machado

O grupo Corote e Molotov está arrecadando recursos para auxiliar mais de 200 pessoas que vivem na Maloca embaixo do viaduto Alcântara Machado, na região do Brás (zona Leste de São Paulo). Além de fazer uma ceia natalina por mais um ano, o dinheiro vai ajudar a custear a troca da fiação elétrica no local.

Para contribuir, é possível fazer transferência bancária para a conta de Carolina Oliveira no Bradesco (agência 3968-3, conta corrente, 3321-9, CPF 34858251829). Quem preferir fazer um pix ou pagar pelos bancos Nubank, Inter, Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasol, pode chamar o grupo pelo inbox da página no facebook. Clique aqui para acessar.

2. Contribua com uma vaquinha na Brasilândia

Professores, estudantes e jovens moradores da Brasilândia, na zona Norte de São Paulo, criaram o comitê de solidariedade de classe Brasilândia Nossas Vidas Importam. E, como ação auto-organizada, desde o início do ano o grupo já distribuiu mais de 1 mil cestas básicas, 270 kits de higiene, 1,2 mil máscaras de pano e mais de 1 tonelada de alimentos, além de boletins informativos.

Com o Natal se aproximando e a continuidade da pandemia e seus efeitos sobre famílias em vulnerabilidade, o comitê lançou uma vaquinha virtual solidária com contribuições a partir de R$ 25. Para doar, basta acessar este link.

Para quem preferir comprar uma cesta básica, é possível entregar diretamente na rua Nogueira, 85 – Vila Penteado.

3. Apoie outra campanha pelo Natal sem fome na Brasilândia

Em ação desde abril contra os efeitos da pandemia, a Associação dos Moradores do Alto da Vila Brasilândia (AMAVIB) distribuiu mais de 50 mil marmitas e 2 mil cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade na região. Agora, na campanha de Natal, o grupo pretende doar pelo menos 500 cestas básicas a famílias já cadastradas.

Para isso, até dia 20 de dezembro o grupo arrecada recursos em uma vaquinha virtual (clique aqui), pelo Mercado Pago (clique aqui), pelo Paypal (clique aqui) ou por depósito bancário em nome de Claudio Rodrigues Melo (Caixa Econômica Federal, agência 3032, conta corrente 0001-1885-7, CPF 15306484832).

4. Contribua com famílias do Jaraguá e Parada de Taipas

Na região Noroeste da cidade, o Apoio Mútuo Jaraguá Taipas contra Covid atuou ao longo dos últimos meses para socorrer famílias com maior necessidade. E neste Natal, não é diferente. Para isso, o grupo pede doações em dinheiro para contribuir os beneficiários.

Os recursos podem ser doados pelo PicPay (@apoiomutuojaraguataipas), PayPal e Mercado Pago ([email protected] ou 11 99499-4465); pela Caixa Econômica Federal (agência 3012, operação 001, conta corrente 27113-8); ou pelo Bradesco (agência 0504, conta corrente 0461469-0, em nome de Ana Claudia dos Santos, CPF 30301153809, pix +55 11 99499-4465).

5. Colabore com crianças e famílias da Cooperativa Granja Julieta

Há mais de 10 anos, o Movimento Negro Unificado faz festa de Natal para as crianças, filhas e filhos, das catadoras e catadores da Cooperativa Granja Julieta, no Socorro (zona Sul de São Paulo). Com a pandemia, a festa não vai acontecer, mas o grupo pretende entregar presentes e cestas básicas a todos os cooperados.

Faça uma doação para montagem das cestas em nome de Regina Lúcia dos Santos (Caixa Econômica Federal, agência 2920, operação 013, conta 9475-6, CPF 92071899849)

6. Compre um kit de Natal pra você e ajude famílias na zona Sul

Formada por voluntárias, a coletiva Orgânicas para Todes comercializa alimentos sem veneno produzidos por empreendedoras de periferias da zona Sul de São Paulo, atrelando as vendas com doações para famílias em situação de vulnerabilidade. Com a proximidade do final do ano, o grupo montou kits com produtos diferenciados feitos por empreendimentos principalmente de mulheres de Vargem Grande, Grajaú, Campo Limpo e Taboão da Serra.

Nesta parceria, as iniciativas Solar, Bioafetiva, O que cabe no meu prato, Nossa Fazenda e Sítio Paiquerê oferecem 6 kits diferentes. O valor da doação já está incluído no preço final de cada kit.

Para pedir, acesse o formulário aqui.

– kit 1: bolo de laranja e café orgânico produzidos pelo Sítio Paiquerê – R$ 40

– kit 2: pão, conserva e licor de jabuticaba da Nossa Fazenda – R$ 55

– kit 3: 4 brownies – R$ 30

– kit 4: shampoo e desodorante da Bioafetiva e Bruna Rendeira – R$ 55

– kit 5: Óleo corporal e pomada SOS – R$ 71,50

– kit 6 – 1 legume, 1 chá, folha de refoga, tempero, salada e fruta de agricultores agroecológicos de Parelheiros

– Além de panetones e chocotones caseiros artesanais de 400 gramas por R$ 36

Como a UniGraja fez da quebrada uma sala de aula mesmo com o distanciamento social?

Por Thiago Borges

Fotos por Gelson Salvador/Graja na Cena e Gustavo Revaneio

“Nosso trabalho é aglomerar. Criamos espaços que possam ter muita gente”. Dessa forma, a educadora Estela Cunha começa o balanço desse 2020 complexo em vários sentidos. Ela faz parte do Imargem, coletivo de graffiti que é uma das 9 iniciativas que compõem a UniGraja – Universidade Livre Grajaú, que após 2 anos de experimentações e reflexões pretendia articular escolas, organizações, ambientes autônomos e as ruas para potencializar a região Extremo Sul de São Paulo como um território educador.

Porém, a pandemia de coronavírus e o distanciamento social imposto como medida para evitar o contágio frearam os planos. “Aquilo que já era complicado executar numa situação mais normalizada ficou mais complicado ainda na pandemia”, aponta Wellington Neri, o Tim, que também faz parte do Imargem.

“O sentido da Unigraja esta justamente em desenvolver atividades nos espaços livres, ruas, praças, vielas…”, continua Gelson Salvador, artista e produtor audiovisual no coletivo Salve Selva e no Graja na Cena.

A rede de coletivos teve que dar um novo significado para o lema “a quebrada é a nossa sala de aula” – e a Periferia em Movimento explica nesta reportagem.

A UniGraja nasce da união de iniciativas socioculturais da região Extremo Sul de São Paulo para articular e estruturar uma rede de pesquisa e ação de caminhos possíveis para quem quer transformar a realidade e viver com o que a quebrada tem a oferecer. São eles: Agência Cresce, Casa Ecoativa, Cooperpac, Graja na Cena, Imargem, Meninos da Billings, O que cabe no meu prato?, Periferia em Movimento e Salve Selva. A rede tem como objetivo articular os agentes do território para contribuir, fortalecer e fomentar o Grajaú como uma “quebrada educadora” autônoma, tendo como base a valorização dos saberes ancestrais, contemporâneos, populares, econômicos, políticos, bem como o científico; o menor impacto ambiental; e a produção e o compartilhamento do conhecimento.

Pedagogia das urgências

O sentido de aprender com as ruas vai se fazendo ao longo dos meses. Isso porque as urgências do desemprego, da fome e da necessidade de preservar a saúde bateram à porta da UniGraja – e não tem planejamento que resista a isso. É preciso se adaptar.

Logo no início da pandemia, a UniGraja articulou, recebeu e doou cestas de alimentos para cerca de 900 famílias da região. Depois, outras quase 300 famílias receberam mais do que cestas básicas: também acessaram kits de higiene, alimentos orgânicos produzidos por agricultores locais, máscaras de tecido feitas por costureiras da região um zine informativo sobre prevenção e técnicas para o dia a dia.

“Quando não faltava alimento, faltava gás. Quando não era gás, era água. E assim por diante”, nota Estela. “Por isso, uma das primeiras ações da UniGraja foi criar zines informativos para trazer algumas técnicas que poderiam contribuir para as pessoas construírem nas suas casas, como um fogão a lenha feito com galão de tinta ou uma cisterna para captar água da chuva”, explica.

“Durante nossas trocas em rápidas conversas nas entregas de cesta básica, entendemos que só pensando em autonomia e educação iríamos sair do lugar em que estamos”, completa Estela.

Tim observa que a adaptação foi pensada nas prioridades do momento, seja na doação de alimentos ou na relação da educação nas potencialidades do território, como as artes e a comunicação. Para Estela, o maior desafio foi pensar como chegar a pessoas que não têm amplo acesso à internet.

Por isso, a UniGraja bolou uma estratégia que mescla meios on-line e off-line para abordar 3 temas presentes em 2020: a pandemia de coronavírus, as eleições municipais e, obviamente, como gerar um território educador.

As ações previam desde rolês de bike para conscientização e distribuição de materiais, produção de zines e murais de graffiti e lambe-lambe até transmissões ao vivo e a produção de um jogo de tabuleiro.

Nas ruas, com distanciamento

Diferente dos 2 últimos anos, em que a UniGraja aglomerou 3,3 mil pessoas em diferentes oficinas, feiras e encontros no Grajaú, neste 2020 as ações nas ruas prezaram pelo distanciamento social.

Estela e Kim Alecrim, de O que cabe no meu prato?, produziram 3 zines – sobre eleições, água e bem estar e racismo ambiental. Com ilustrações de artistas diversos, como Marla Rodrigues, Lucas Luciano, Alex Zudão, entre outros, as 900 cópias foram estrategicamente distribuídas por um veículo de comunicação, literalmente falando: a bicicleta.

Tim, do Imargem, pedalou por diferentes pontos da região, como a saída do terminal de ônibus, o Centro Cultural, parques e feiras livres. “A bicicleta é muito estratégica enquanto veículo de intervenção urbana”, diz ele.

Parada ou em movimento, a bike serviu como catalisadora de informações. Além dos informativos impressos, também foi equipada com uma caixa de som que transmitia podcasts como o Pandemia sem Neurose e outros, que abordam temas como o combate ao coronavírus, além de músicas de artistas da quebrada.

Bike foi estratégia para distribuir zines informativos, revistas e tocar podcasts e músicas de artistas da quebrada

“Nas saídas de bike, a gente priorizou a segurança, mascara, alcool em gel”, ressalta Paolo César Vieira, que participou pela Casa Ecoativa de um rolê de bike. “Estar junto é a coisa mais importante para fortalecer uma ação coletiva”, completa.

Já os graffitis têm a intenção de despertar os sentidos de quem vê. Nessa frente, Tim e seu irmão e também artista Mauro Neri intervieram sobre cartazes de campanhas eleitorais em muros da avenida Teotônio Vilela. A ideia era provocar uma reflexão sobre a poluição visual que toma conta da paisagem durante as eleições.

E o Salve Selva elaborou um mural inspirado no movimento hip hop na avenida Dona Belmira Marin. Agora, os 2 coletivos articulam com outros ateliês artísticos uma intervenção conjunta no território. E pra encerrar o ano, o Imargem e o Salve Selva também preparam com o Ateliê Daki, o Ateliê Aguila e O Corre Coletivo a colagem de cerca de 200 lambes pela região.

“Fazendo as intervenções com graffiti e lambe-lambe observamos muitas reações positivas devido ao impacto visual”, aponta Tigone, artista e produtor musical do Salve Selva. “Foram geradas reflexões nas redes sociais e muitas trocas sobre o momento político em que estamos vivenciando e como a quebradas estão mais atentas a essas questões”, diz.

Para Gelson Salvador, que também é responsável pela captação audiovisual das atividades, registrar as ações da UniGraja tem sido um desafio. “Uma reflexão que me veio, foi a que o registro desse ciclo precisava minimamente cumprir a função de capta o espirito da vivência e não somente a foto ou o vídeo”, nota.

Nas redes, aprofundando as conversas

Em uma série de transmissões ao vivo em sua página no Facebook sobre diferentes temas, a UniGraja conseguiu aprofundar algumas reflexões iniciadas nos anos anteriores.

“Se por um lado deixamos de dialogar com algumas pessoas que só seria possível nas ruas, por outro conseguimos conversar com quem só seria possível mesmo pelas redes virtuais”, avalia Gelson Salvador.

Para Valquiria Candido, da Cooperpac (Cooperativa dos Catadores Seletivos do Parque Cocaia), organizar as lives foi importante para manter viva a essência da cooperativa. Os trabalhos das catadoras foram paralisados durante a pandemia e, rapidamente, elas incorporaram videochamadas e encontros virtuais para seguir trocando com outras cooperativas.

“Toda e qualquer informação é importante. Às vezes presencialmente não tem tanta oportunidade de troca como teve agora na pandemia”, diz Valquiria. A Cooperpac fez 2 lives sobre território educador e educação ambiental pela UniGraja – uma delas com Helena Novais, presidente da cooperativa; e outra com dona Cida Preta, moradora referência no Jardim Lucélia.

Para Tim, que também participou de algumas lives, esses encontros virtuais possibilitam trocas em outros formatos. “A gente fica muito nosso bairro, e é importante entender o que acontece em outras pontas da cidade, do Brasil e do mundo”, completa.

A UniGraja também discutiu temas como produção musical nas periferias, arte urbana e territórios educadores, gênero e resistência LGBT, aprendizados possíveis com a represa e reflexões sobre as eleições municipais em São Paulo.

Veja abaixo a conversa que rolou em 30 de novembro, com a jornalista Jéssica Moreira, do coletivo Nós, Mulheres da Periferia; e a vereadora eleita Luana Alves, do PSOL.

Os aprendizados

Ainda neste 2020, a UniGraja desenvolve um jogo de tabuleiro que tem o Grajaú como mapa e os coletivos, escolas e outros espaços educacionais da região como fases. A ideia é circular o jogo entre estudantes locais no próximo ano.

Apesar de todas as dificuldades, o grupo avalia que foi importante seguir atrás do objetivo principal.

“Levando em consideração o contexto atual e as demandas que cada indivíduo teve que lidar durante todo processo, acredito que estamos fechando um ciclo com muitos ganhos”, diz Gelson. “Conseguimos fazer e pensar mesmo sem os contatos presenciais, nos apoiando na medida do possível”, complementa Tigone.

Para Estela, a UniGraja segue o curso de todo processo educacional, que é uma construção. “Ele sai de uma ideia para a tentativa de realização. Por isso todos os passos, conversas e criações foram muito importantes para o entendimento que estamos tendo hoje, tendo como objetivo geral a criação dessa quebrada educadora”, conclui.

As atividades da UniGraja em 2020 foram patrocinadas pela Fundação Casas Bahia

Marcas de roupas periféricas expressam valorização da própria identidade

Por Ludmila Fernandes  

Em um ano marcado pela pandemia de coronavírus, a pauta antirracista ganha força na sociedade e multiplica os debates. E a moda é uma das formas de expressar esses sentimentos que atravessam e colaboram na formação de identidades.

Não por acaso, destacamos 3 marcas de roupas fundadas por moradores da zona Sul de São Paulo que dialogam com esse momento – 2 delas surgiram este ano, e todas apostam nas vendas pela internet. 

Conheça a Anu Moda Afro, a Grita Quilombo e a Semente Crioula, que vestem de crianças a adultos. 

Esta é a 5ª matéria da série Fortalece Quebrada, um projeto da Periferia em Movimento e da agência de comunicação Bora Lá para destacar empreendimentos criados por moradoras e moradores das periferias de São Paulo.

Vestindo a causa

Há 4 anos, Carlos Borges Júnior e Mayara Oliveira já bolavam a ideia de criar uma marca que valorizasse a identidade afro. E neste ano difícil, a Anu Moda Afro enfim saiu do papel. 

Mayara e Carlos, sócios da Anu Moda Afro (foto: Divulgação)

“A pandemia nos ajudou a conseguir a verba para iniciarmos o negócio”, explica Carlos, que mesmo com pouco conhecimento sobre o mercado contou com pesquisas e o auxílio de amigos para a realização. “A iniciativa é um sonho de anos, e agora a causa está mais forte do que nunca”, continua, em referência à maior visibilidade da pauta antirracista. 

Com camisetas, quadros e máscaras para prevenir o contágio do coronavírus, a Anu Moda Afro foca na população preta a partir do Grajaú, região em que foi fundada. 

Como funciona? | Compre pelo site (clique aqui), pelo instagram ou pelo whatsapp (11 95894-8906). O pagamento pode ser feito por transferência bancária (Nubank, Bradesco ou Itaú), boleto bancário, Pay Pal ou Pagseguro. Mais informações: [email protected]

De Parelheiros para o mundo 

Não é a 1ª vez que Leonardo Serafim tenta empreender na moda. Ele já tentou criar uma marca inspirada no movimento hip hop, do qual é adepto, mas não teve sucesso na tentativa. 

 Antes da Grita ser concretizada, Leonardo tentou criar uma marca baseada no hip-hop, ritmo que gosta porém, não houve sucesso em sua primeira tentativa.

Mas ele não parou por aí: pesquisou e notou que, em sua região, não existia alguma marca que exaltasse a cultura negra e periférica. Assim, ele se juntou a José Dehon e Will Ferreira e, neste ano, o trio lançou a Grita Quilombo. A marca se inspira na resistência periférica e tem como slogan “de Parelheiros para o mundo”, em referência ao território onde vivem os fundadores.

Will Ferreira, um dos fundadores da Grita Quilombo (foto: divulgação)

“Não tínhamos nem experiência nem conhecimento, apenas muita vontade de representar os nossos e fazer com que os nossos se sentissem representados”, explica Wil Ferreira. “A partir daí, buscamos ideias e experiências. Estamos aprendendo a partir do crescimento da Grita Quilombo”.

Durante a quarentena imposta pela pandemia, a equipe da marca conseguiu fechar parcerias com uma fotógrafa e com diversos modelos para realizar a divulgação do produto.

“O nosso público alvo é qualquer pessoa periférica que busca vestir algo que a represente, que fale da sua experiência e vivência, que seja confortável e válido de se vestir”, completa Will. 

Como funciona? Peça de qualquer parte do Brasil pelo instagram (clique aqui), facebook, whatsapp (11 99852-6301) ou e-mail ([email protected]). O pagamento pode ser feito à vista, transferência bancária (Mercado Pago, Nubank ou Itaú), boleto bancário, cartão de crédito ou débito. 

Semente Crioula

Em 2018, Rosemary Lourenço participou de um curso para pequenos negócios promovido pela Empreende Aí. E foi nessa turma em que encontrou força para empreender uma marca de roupas de inspiração africana voltadas para mulheres e, principalmente, crianças. 

Rosy Lourenço, criadora da Semente Crioula (foto: Divulgação)

Dessa forma, nasce a Semente Crioula, que vende roupas infantis como vestidos, macacões, camisas, conjuntos, e até acessórios, como tiaras, presilhas e chapéus.

Fundado no Campo Limpo, o negócio hoje funciona na região de Pinheiros (zona Oeste da cidade). E, com a pandemia, Rosemary se adaptou aumentando a presença na internet e colocou em prática mudanças operacionais como retirada de produtos comprados de forma online em loja colaborativa. 

Como funciona? Peça pelo instagram. https://www.instagram.com/sementecrioulamoda

Alexssandro, Erik e Kelvin: Amigos de infância tiravam um lazer e acabaram presos sem provas

Texto e fotos por Julia Vitoria

O sol já estava se pondo na tarde da última sexta-feira (5/12), quando um grupo de pessoas iniciou uma caminhada na avenida Dom Rodrigo Sanchez, no Jardim Amália, que seguiu por 3 quilômetros até o Capão Redondo. Vestindo camisetas e com cartazes nas mãos, familiares e amigos reivindicavam justiça e liberdade para 3 jovens presos injustamente. Apesar do cansaço pela falta de resposta, eles saíram no 4º ato feito na região desde que Alexssandro Moraes, de 18 anos, Erik Bueno, 20, e Kelvin Nascimento, 21, foram detidos.

Foto: Julia Vitoria

Os 3 jovens citados acima e Rafael Marques, de 21, são amigos de infância. E desde pequeno, os 4 utilizam a quadra da Escola Municipal Iracema Marques, no Parque do Engenho, como espaço de lazer. No último 18 de novembro, o grupo tirava um lazer no local quando a Polícia Militar chegou atirando e levou todos presos.

“Foi logo cedo. O meu filho tinha acabado de buscar pão, aí passou na quadra porque eles sempre combinam de jogar bola, né? Às vezes ficavam fumando um cigarro, descontraindo, e aconteceu tudo isso. A polícia chegou atirando”, conta Liliane Bueno, mãe do Erik.

Conforme o depoimento dos policiais, um pouco mais cedo naquele dia, eles teriam sido acionados para atender uma ocorrência de roubo de mercadoria de uma Fiorino em andamento na rua Engenheiro Felipe Guiton. Assim que chegaram ao local, o indivíduo que havia efetuado o roubo saiu correndo. Moradores relatam que, nesse momento, a perseguição começou pelo bairro, com helicópteros e muitas viaturas na região.

Após ouvirem os tiros, os 4 jovens que estavam na quadra se esconderam assustados no matagal que fica atrás da escola. Logo depois, foram surpreendidos pelos PMs que faziam a busca pelo roubo da carga e levados para averiguação. “Infelizmente, como teve essa movimentação toda de helicóptero, eles tinham que pegar alguém para falar que fez o seu trabalho,” aponta Liliane.

Foto: Julia Vitoria

Os 4 jovens e os familiares só descobriram depois, na delegacia com os depoimentos e acusação dos PMs qual era o motivo pelo fato deles terem sido levados presos.

“Eles souberam só mais tarde desse roubo, quando o envolvido no roubo veio e disse quem estava e quem não estava envolvido ao delegado. Depois a vítima foi lá e não reconheceu eles. Disse que eles não tinham nada a ver. A vítima reconheceu o responsável e o próprio assumiu o roubo”, explica Simone Maria Marques, mãe do Rafael – por fazer tratamento de saúde, ele foi liberado para responder ao processo em liberdade.

Mesmo com todas as provas, testemunhas, a vítima que não reconheceu os 4 meninos e o próprio autor assumindo o crime, o delegado indiciou os jovens por crimes flagrantes contra o patrimônio (artigos 155 a 183 do Código Penal) e roubo consumado (artigo 157), e manteve presos Alexssandro, Erik e Kelvin.

“Meu filho não teve audiência de custódia nenhuma. O certo é [acontecer a audiência] até 72 horas [após a prisão], e agora está lá pagando por uma coisa que não fez. Tanto ele como os demais, que são todos filhos pra gente, criados juntos desde pequenos. Estamos sem chão

Wilson Camargo, 46, pai do Kelvin

Mikaelly Liborio, namorada de 20 anos do Kelvin, está indignada. “Ninguém tem lazer aqui. O único que achava que tinha aconteceu isso, infelizmente”.

Irmão de Erik, Kaique Bueno diz que não é a primeira vez que a PM reprime os frequentadores da quebrada. “Teve uma vez que era dia de batalha de rima e gravação de um clipe de um MC. E por conta de ser aqui, a polícia veio, enquadrou nois, falou um monte, xingou e mandou nois ir pra casa. Disse que, se visse a gente aqui de novo, as ideias iam ser outras”, lembra o jovem de 22 anos, que é fundador da Batalha do Engenho, que funciona na quadra da escola desde 2019.

Junto à Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, os familiares estão durante todos esses dias juntando provas, depoimentos, filmagens e realizando manifestações pela região. Além da difícil tarefa de provar a inocência dos filhos, lutar pelo nome limpo dos jovens é outra preocupação.

Mikaelly, namorada de Kelvin (Foto: Julia Vitoria)

“Eu vejo que aconteceu uma injustiça com os meninos e o que eu espero hoje é que seja feita a justiça. E mais: como ele não fez, como ele é inocente, eu quero que ele não saia com o nome sujo”, salienta Simone Moraes, mãe do Alexssandro.

“Se fosse um lugar mais ‘sofisticado’, eles não iriam chegar atirando assim. Eu espero que a gente consiga provar a inocência deles, porque se eles forem soltos eles também serão constrangidos, porque parece que quando a polícia pega alguém que tem passagem, ela fala assim: ‘encosta aí ladrão’. Eles esculacham. Eu acho que eles deviam cuidar mais né, não apoiar o crime, mas cuidar mais da periferia”, completa Liliane.

O sol se põe e o grupo retoma pra casa na expectativa de raiar a liberdade para os amigos de infância.

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