Foto: Felipe Chaves

Nas quebradas, a gente faz moda para se identificar

Vamos falar de moda. Não de desfiles, de tendências nem coleções. Não é intenção e nem temos arcabouço pra isso.

O exemplo mais clássico disso é a 1DaSul, criada pelo escritor Ferréz em 1999 como resposta à onda de violência e imagem distorcida construída com base nisso sobre o Capão Redondo. Hoje, dentro da lógica de economia solidária, a 1DaSul remunera fornecedores locais de forma justa e vende os produtos em sua loja física e na internet. É só andar pela zona Sul para reconhecer a identificação imediata com a marca.O negócio aqui é falar da moda na periferia. Mais especificamente, de quem produz moda na quebrada.

Mas Ferréz não está só.Tem mais gente gerando identificação e se afirmando sem dizer uma só palavra, apenas com a roupa que usa.

No Grajaú, também Extremo Sul, acaba de nascer uma nova marca: a Chavo Callejero, oficialmente lançada no dia 02 de novembro. O historiador e tatuador Leonardo Medina se inspirou nas ruas e na própria infância para criar a marca. Skatista desde pequeno, aos 13 anos ele encontrava dificuldades para comprar roupas próprias de sua tribo. Ele cresceu, mas sem deixar a ideia de lado.

No começo do ano, com o apoio de sua mulher, Medina tirou a ideia do papel. Influenciado pelo hip hop latino-americano, Medina deu um nome em espanhol para a marca: Chavo, assim como Chaves mexicano, é o menino; e Callejero, referente às ruas.

E, de volta ao Capão, o poeta Fuzzil quer adiantar o lado de todo mundo.O símbolo da marca é a coruja, que representa a sabedoria. Cada figura estampada também seu significado e é definida após muita pesquisa a respeito, como a militante palestina Leila Khaled. “Esses nomes reivindicaram sua própria existência”, diz Medina. “Nossa preocupação, além de divulgar a marca e viver disso, é levar o que não é reconhecido por algumas pessoas”.

Por isso, criou a Deeanto, marca de roupas que existe desde novembro do ano passado mas começou a ser matutada desde 2006.

“O nome é um toque pras pessoas também de que é possível fazer suas coisas sem atrasar o lado de ninguém”, aponta ele, que inaugura sua loja própria neste sábado, dia 10.

“É mais uma marca da periferia que vem pra somar com as outras”, diz Fuzzil, que traz figuras como Zumbi e temas como o samba nas camisetas que produz. A ideia é fazer algo que não se vê nas vitrines das lojas, mas que está nos rostos de quem circula pela quebrada.

COMO COMPRAR?

1DaSul – Rua Comendador Sant’anna, 139 – Capão Redondo – fone 5870-7409

Deeanto – Rua Capitão José Cerqueira Leite, 202 – Parque Fernanda (alt. 7772 da Est. Itapecerica)

Chavo Callejero – Pelo Facebook: https://www.facebook.com/chavocallejero/